Um dia em Bruxelas | lados A e B

19.5.17

Bruxelas não tem o que ver”. Essa é a grande máxima de muitos viajantes que retornam das suas eurotrips e acharam por bem dar um pulinho na Bélgica, triangulando, assim, a visita com a França e a Holanda ou,  num bate-volta a partir de alguma outra cidade europeia. Mas eu sempre duvidei que isso fosse verdade, afinal de contas, um lugar que tem as melhores cervejas, chocolates e batatas fritas não pode ser tão decepcionante, né? Partindo desse princípio fomos ver com nossos próprios olhos para descobrir e traçar o nosso roteiro por Bruxelas. Primeiro, começamos pelo passeio tradicional e clássico da capital belga - o que eu diria ser o Lado A.
Famoso mural de Tintin, em Bruxelas, às vezes passa despercebido pela multidão de turistas

>> Bruxelas Clássica - Lado A

Grand-Place de Bruxelas
Primeira parada: Le Gran-Place
Um dos mais conhecidos cartões-postais da cidade, essa praça no coração de Bruxelas é o primeiro ponto turístico dos visitantes que chegam à capital belga. Cercada de bonitos e exuberantes prédios públicos e privados, esse conjunto arquitetônico que data do século XVII, abriga a Maison du Roi, o Hôtel de Ville, além de outras edificações importantes para a cidade. Descrita por Victor Hugo como “a praça mais bonita do mundo”, a Grande Praça – hoje considerada Patrimônio Mundial da UNESCO –, recebe, a cada dois anos, no mês de agosto, o famoso tapete de flores, que com suas mais de 600 mil begônias deixa a região ainda mais impressionante e colorida. 

Galeries Royales Saint-Hubert

Próximo à Grand-Place está o belíssimo prédio da Galeries Royales Saint-Hubert, construído em 1847. Quem já esteve em Milão e visitou a Galleria Vittorio Emanuele vai perceber a semelhança arquitetônica entre as construções. Hoje a galeria abriga lojas de grife e casas de chocolate, como Longchamp, Léonidas e Godiva. Flanar ao longo dos seus 200 metros de extensão é bastante convidativo. Sem dúvidas, um ponto concorrido em Bruxelas, já que por ano esse imponente passeio recebe cerca de 6 milhões de visitantes. 

Compras e chocolates, um duo possível em Bruxelas

Manneken Pis

A Mona Lisa belga, esse poderia ser o apelido dessa pequena fonte de Bruxelas. Sobrevivente do bombardeio de 1695, ícone do folclore belga, a estátua já foi roubada inúmeras vezes. Hoje, o que está exposto na rua é uma réplica, a verdadeira encontra-se na Maison du Roi. O pequeno rapaz mijão, hoje em dia não fica sempre pelado, seu guarda-roupa conta com mais de 900 looks e ele é vestido cerca de 130 dias no ano. Na nossa visita o Manneken estava vestido de drácula. Pelo seu tamanho diminuto (são cerca de 60cm) os turistas ficam meio decepcionados, tal qual como com a Gioconda do Louvre, no entanto, mesmo pequeno, visitantes se acotovelam por um clique do moleque. 

O pequenino Conde Drácula, ou melhor, Manneken, figura emblemática da capital belga
Atomium

Mais afastando do centro de Bruxelas, o Atomium é um intrigante ponto turístico da cidade, para mim, o mais conhecido. Construído para a Expo 58, a Feira Mundial de Bruxelas, ele representa um cristal elementar de ferro ampliado cerca de 165 milhões de vezes. Algumas de suas esferas estão abertas à visitação e contam com uma exposição permanente em seu interior. Exagerados costumam chamá-lo de Torre Eiffel da Bélgica, talvez por se ter uma visão panorâmica da capital belga do seu topo. Tirando o romantismo da representante parisiense, eu diria que talvez as duas estruturas compartilham duas características: se tornaram símbolo de uma capital europeia e são mais legais vistas de fora do que de dentro. 

Atomium: Era para ser uma instalação temporária, hoje é cartão-postal da Bélgica
>> Bruxelas Alternativa - Lado B

Depois de percorrer as principais atrações turísticas de Bruxelas, decidimos ir atrás do lado alternativo da cidade. Conhecida por ser a capital mundial dos quadrinhos, é obvio que essa veia artística teria muito a nos oferecer durante a nossa visita. E a partir daí já ficou claro para nós que um dia seria muito pouco para curtir a capital belga do jeitinho que ela merece. A cidade é um caldeirão de nacionalidades e referências – e para quem sai do poço de calmaria que é a Holanda, quando se chega a Bruxelas é impossível não comparar a vibe local com uma panela de pressão –, e acho que é por isso que a tensão extrapola e se transforma em criatividade, característica das grandes metrópoles. 

Murais de quadrinhos

Bruxelas é a cidade onde foram criados Tintin, os Smurfs e muitos outros ícones da ilustração. Orgulhosa dos seus “filhos”, a capital belga ofereceu suas paredes para que artistas as cobrissem de cor e história. Um dos passeios deliciosos na cidade é caçar esses murais e colecionar cliques. Munidos de um mapa, foi delicioso passar uma tarde percorrendo endereços da Comic Strip atrás de tesouros multicoloridos. 

Os murais de quadrinhos estão por toda parte de Bruxelas, completamente bem integrados à paisagem
 Frites Belges

Entre um quadrinho e outro, para repor as energias, decidimos comer as famosas batatas belgas, mas a gente não queria qualquer batata, pois isso encontramos literalmente em qualquer esquina da cidade. Nos contentaríamos, apenas, com a melhor batata frita de Bruxelas. Pesquisa dali, pesquisa de cá, descartamos qualquer lugar mais chique e focamos apenas em quiosques tradicionais, foi assim que encontramos a indicação da Frit Flagey. Conhecida por estar num endereço habitual da cidade, a Place Flagey, essa banca tem sempre uma fila na frente. Ali você só escolhe o tamanho da porção (grande  | 2,70 euros ou pequena | 2,40 euros) e o molho que vai em cima (60 centavos de euro) – acredito que são quase duas dezenas de sugestões. As batatas são gostosas, feitas na hora, as porções são generosas e o melhor, baratas. 

#RESPECT | É preciso respeitar um lugar que tem como ícone da cozinha a batata frita
Um bairro descolado

Marolles (vizinho ao conhecido bairro Sablon) abriga uma das maiores e mais antigas ruas da cidade, a Rue Haute. Endereço de bares, restaurantes, galerias de arte e brechós, há quem diga que ali está a autêntica Bruxelas. O Mercado de Pulgas da região, o Vieux Marché da Place du Jeu de Balle, abre ininterruptamente todos os dias há 90 anos, uma boa pedida para quem viaja atrás de antiguidades. O bairro também é endereço certo para aqueles que curtem design de interiores, pois a concentração de lojas de móveis e decoração é alta nessa parte de Bruxelas. 

Para quem não dispensa um garimpo o bairro de Marolles é o endereço
Pena que a maioria dos turistas fica apenas no lado A da capital belga e resume a viagem apenas a uma frenética passagem pelo país. As sugestões de passeios aí em cima recheiam um dia bem corrido ou garantem dois dias tranquilos pela cidade. E isso é porque a gente ainda não incluiu paradas em museus e refeições demoradas em restaurantes. Na ânsia de ver tudo (e não conseguir), trouxemos para casa como souvenir a certeza de uma nova visita a Bruxelas, porque a cidade tem, sim, o que ver. É só saber onde procurar.




  

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2 comentários

  1. Oi, Rapha. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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    Respostas
    1. Oi, Natalie ;)

      Obrigada por incluir e avisar!

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