16.3.12

#Passageiros: Esperando o trem


imagem: sxc.hu

Após um dia corrido de trabalho na cidade natal do Einstein - Ulm -, a minha jornada de volta ao Brasil incluiria ir até a estação de trem e tomar o próximo ICE (Trem rápido) até o aeroporto de Frankfurt. Passei no hotel, peguei minha mala e segui.

Era uma sexta-feira no fim de agosto, um dia bonito de sol e a pequena estação não estava tão cheia. Na máquina, fiquei sabendo que para o próximo trem não seria possível reservar um lugar, o que me fez pensar que o trem devia estar cheio e eu teria que encarar as duas horas de viagem em pé.

Assim sendo, fui direto para a plataforma e me sentei num banco estrategicamente posicionado. Esperei.

Alguns minutos mais tarde, um senhor sentou ao meu lado e sorriu, com receio. Se um desconhecido sorri pra você na Alemanha, isto não é normal. O prudente seria ignorá-lo e torcer para que ele fosse gastar essa simpatia em outro lugar. Mas eu tinha mais alguns minutos e perguntei se estava tudo bem.

A conversa que se seguiu foi tão inesperada quanto realista.

Eu não perguntei o seu nome, mas descobri rapidamente que o senhor havia nascido na Áustria e já vivia na Alemanha há décadas. Em troca, eu falei que estava esperando o trem pra Frankfurt.

Além do que parece óbvio, ter iniciado este diálogo denunciou que eu não poderia ser alemão. Então ele quis saber se eu morava na Alemanha. Respondi que não e ao mesmo tempo refleti sobre uma lição importante sobre este tipo de pergunta em países com imigrantes. Não é correto perguntar para uma pessoa de onde ela é, já que ela pode ser nascida e educada lá mesmo e a pergunta soar racista. Continuou.

Falou que já tinha viajado para muitos lugares e que nunca esqueceria a mulher e o lugar com quem viveu bons anos da sua vida. A mulher era colombiana. Quando ele cansou de lá, a levou para a Alemanha e quando ela cansou da Alemanha ele decidiu não acompanhá-la.

Filhos? Tinha um. Um filho alemão. Não quis outros.

Na verdade, não o conhecia bem, não eram próximos. Sabia onde ele mora, mas não tinha contato.
A essa altura, era justo e ele quis saber onde eu morava. Respondi que não muito longe da Colombia. Pela falta do sotaque, chutou Brasil - deduziu e acertou, indiquei.

Rio? Não. Mas gostaria...

Quis saber se conhecia alguma cidade além do Rio. Disse que já havia estado em Manaus e achou muito bonito. Queria ter voltado outras vezes, suspirou.

Ainda pode, pensei... Ainda pode, falei.

Notei que algumas pessoas já se movimentavam na plataforma e ele, olhando por cima do meu ombro disse: o trem já vem. Você ainda tem muitas horas de viagem até o Brasil, não é? Olhei no relógio e respondi que pelo menos 18. Ele sorriu e levantou com alguma dificuldade.

Perguntei se ele tinha um assento marcado, poderíamos continuar a conversa.

Ele disse que não pegaria esse trem. Me agradeceu pela conversa e pela educação.

Já pronto pra subir no trem, perguntei: e pra onde o senhor vai? Não vou para lugar nenhum. Eu fico só por aqui, respondeu calmamente.

Processei, sorri, acenei e entrei no vagão. 

Nas próximas horas, além de especular sobre o meu novo colega, - que poderia ser uma infinidade de coisas - optei pelo excêntrico escritor colecionando diálogos numa estação de trem. Percebi que em cada viagem que fazemos sempre encontraremos alguém que iremos lembrar sempre.

Pelo esquisito ou pelo fantástico.


>> Texto escrito pelo marido em uma de suas andanças - não tão - solitárias pelo mundo.

8.3.12

#MulheresGOL


Semana passada fui convidada para fazer parte de uma ação da GOL Linhas Aéreas Inteligentes para o Dia Internacional da mulher. Faríamos um bate e volta em Porto Alegre a bordo de um voo com a tripulação totalmente feminina. A proposta em si já era bem divertida, uma vez que eu nunca havia voado com mulheres no comando. Mesmo já tendo viajado bastante, e a GOL com um quadro de 6 comandantes e 21 copilotas, eu sequer havia visto uma comandante. 

Na segunda, dia 05, fomos eu, mais 3 blogueiras daqui de São Paulo (Jana, Guta e Deise) e uma equipe da Globo, cobrir aquele que seria um momento histórico para mim. Por volta das 8:30 da manhã fomos apresentadas às instalações da área de comunicação da empresa e depois partimos para tomar um café da manhã e bater um papo descontraído pré-viagem. 

Já no aeroporto de Congonhas recebemos nossos cartões de embarque e fomos até o D.O. (Despacho de Operações) da GOL para encontrar a tão esperada tripulação feminina. Nessa hora elas já estavam interagindo e discutindo como seria o voo até Porto Alegre. Após esse breve momento deixamos o espaço e seguimos em direção ao nosso portão de embarque. Não sem antes fazer uma pausa para várias fotos da tripulação. Foram muitos flashes e eu acho que elas experimentaram um dia de celebridade. 

Tripulação reunida para discutir como será o voo

Rede Globo em ação

Tripulação totalmente feminina: Comandante - Joana, Copilota - Paula Petean, Chefe de Cabine -  Gisele Maya e as Comissárias  - Gisele Cortez, Roberta Aguiar e Tatiane Oliveira 

Nosso avião
Já embarcadas e devidamente acomodadas junto aos demais passageiros, os procedimentos de praxe são executados para que a viagem se inicie. E logo em seguida, o Boeing 737-800 decolou pontualmente sob a responsabilidade da comandante Joana e a copilota Paula Petean. Para mim, que sou leiga, não existe uma diferença clara se tem um homem ou uma mulher no comando, mas em saber que tem, sim, uma mulher pilotando aquele avião, dá um baita orgulho. Tiro o meu chapéu. Como disse durante a viagem, eu não consigo fazer uma baliza com um carro 1.0, imagina colocar um avião no ar? Incrível! Virei fã dessas mulheres!

Durante o voo foi anunciado que aquela seria uma viagem especial, pois estávamos com uma tripulação totalmente feminina e que essa era uma homenagem da GOL para o Dia Internacional da Mulher. Após o anúncio, as comissárias serviram delicados cupcakes para todas as mulheres a bordo. Uma surpresinha bem gostosa, vale salientar. 

Surpresa no ar: Cupcakes!


Comissárias em ação - 1

Comissárias em ação - 2
Uma hora e vinte minutos de voo até Porto Alegre passaram num piscar de olhos e logo estávamos pousando - de forma muito suave - em solo gaúcho. Não chegamos nem a deixar o avião (não disse que seria um bate e volta?) foi o tempo de embarcar os novos passageiros para levantarmos voo mais uma vez. Mais 1 hora e vinte de viagem, mais cupcake, mais bate-papo e rapidinho pousamos em Congonhas. Aguardamos o desembarque de todos os passageiros para, enfim, ter um rápido momento com a comandante Joana e a copilota Paula. Entrei na cabine - momento inesquecível - e pude parabenizá-las pela viagem e dizer que é um orgulho ter representantes como elas nesse ambiente dominado pelos homens. 

Comandante Joana e Copilota Paula

Um dos muitos Boeings 737 da GOL taxiando em Congonhas

Vale ressaltar também que o time de comissárias era impecável, as meninas foram simpáticas e divertidas. Um senhora tripulação formada por: Comandante - Joana, Copilota - Paula Petean, Chefe de Cabine -  Gisele Maya e as Comissárias  - Gisele Cortez, Roberta Aguiar e Tatiane Oliveira. 

E assim terminou esse dia que, para mim, foi cheio de novidade, emoção, boas conversas, risadas e muita alegria. Tive a oportunidade de conhecer muita gente bacana, jovem e de muito talento. 

Agradeço mais uma vez às meninas da Burson-Marsteller pelo convite e à GOL pela iniciativa incrível. É sempre um prazer colaborar com vocês!

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Em tempo: A primeira mulher no mundo a ter uma licença para pilotar foi a francesa Raymonde de Laroche, em 1910. A primeira brasileira a obter a mesma licença foi a Comandante Lucy Lúpia. E, na GOL, a primeira mulher a chegar ao posto de comandante foi Elisa Rossi, em 2007. 

Para todas as minhas leitoras: feliz dia da mulher!

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2.3.12

#Passageiros: O dia em que voei com Tom e Brad

Não é raro. Para vivenciarmos uma boa história, basta colocarmos o pé pra fora de casa. E às vezes nem precisa. Se você viaja com frequência, entretanto, acaba aprimorando a sua percepção. Todos os sentidos ficam em alerta, como um radar. É algo involuntário. 

E ficar assim, tão receptivo, é ótimo para quem gosta de colecionar boas memórias. E especialmente, bons personagens.

Já faz algum tempo que queremos descrever algumas dessas figuras, emblemáticas ou óbvias, que preenchem as nossas mentes primeiro com curiosidade, para depois nos deixar uma ou várias lições. Lições e um retrato do que perdemos quando escolhemos ignorar o que está à nossa volta.

Nesta semana que passou, eu vivenciei mais um desses momentos e ficou inevitável não compartilhá-lo com vocês. São momentos de um aprendizado instantâneo, um filme em um minuto, que passa. Tão rápido quanto veio. Como todos os momentos da vida, passageiros.

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Voltando de Recife para São Paulo, escolhi um voo para Congonhas e, por conseqüência, esse voo teria uma escala ou conexão. A princípio, seria uma conexão em Brasília, mas a cia aérea, dias antes, mudou tudo e eu escolhi um voo com escala no Galeão (RJ). Na noite anterior à viagem fui checar a reserva online e a companhia havia desmarcado meu assento - eu não estava mais na fileira 3. Achei tudo problemático, mas não tinha muito o que fazer. Só me restou escolher outro lugar para me acomodar. Já meio sem paciência, escolhi uma poltrona no fundo do avião e sem ninguém do lado, a 25A. Na hora do check-in no autoatendimento, recebo a seguinte mensagem: bilhete com problema, dirija-se ao balcão de atendimento. É muita chateação para um voo só, não é?

Fiz o check-in no balcão, confirmei que não tinha ninguém nas poltronas do lado, fui ao portão de embarque e decolamos rumo ao Rio de Janeiro. Viagem tranquila, lanchinho, uma palavra cruzada e 2:40 depois, pousamos no Galeão. Continuei na minha poltrona, ciente de que ninguém sentaria por perto. Ledo engano. Chegou uma família - mãe e dois filhos - dois foram acomodados nas poltronas ao meu lado e outro, na fileira seguinte. 

O jovem rapazinho sentou na poltrona B e, com uma carinha super simpática, logo perguntou se era a primeira vez que eu voava de avião. Respondi negativamente e completei que já havia voado bastante, mas logo matei que ele estava passando por alguma novidade. Na verdade, seu primeiro voo havia acontecido não tinha nem 24h. A família de Catanduva - SP foi convidada para ir ao Rio de Janeiro participar de um programa de televisão. E eu, custando a acreditar na veracidade daquela história, só consegui crer nos olhos brilhantes do menino. Mais uma pergunta foi feita: Você já passou por alguma emergência voando? Graças a Deus, não. Respondi. Chegou a hora de decolar novamente e o menino disse que não gostava muito dessa parte. Eu a comparei com um passeio numa montanha russa. Ele sorriu. 

Curiosa, perguntei o nome dele: Brad Pitt. E seu irmão, Tom Cruise. Enquanto isso, a mãe notando a minha cara incrédula, vai tirando da bolsa os RGs dos meninos e me mostrando. Era verdade! Eu estava voando com Brad Pitt e Tom Cruise ao meu lado. E, por causa  dos seus nomes, através do orkut (lembram dele?) eles foram convidados para participar do tal programa de TV e, consequentemente, andar pela primeira vez de avião. Em seguida, a mãe me passa a câmera digital com todo o registro do breve passeio. Hotel 5 estrelas, praia de Copacabana, Copacabana Palace e encontro com Will Smith. Era muita experiência nova em tão pouco tempo para essa família. 

Nessa hora, só pude pensar que se minha conexão fosse em Brasília ao invés do Rio, no máximo eu toparia com alguma político meia boca. Ou, até mesmo, se tivesse escolhido uma poltrona mais pra frente, outras pessoas sentariam ao meu lado. Talvez os meninos sentassem ao lado de alguém que não prestaria atenção à história deles. Acredito, sinceramente, que todas as alterações na minha passagem convergiram para que eu pudesse testemunhar essa história tão peculiar quanto fantástica. 

Após as apresentações, Brad Pitt continuou tirando suas dúvidas com relação às viagens de avião (taí uma frase que eu nunca pensei em dizer). No alto da minha, não tão grande, experiência, pude falar dos tamanhos de avião, da duração de algumas viagens, dos tipos de comida que serviam a bordo. Também ensinei aquela dica manjada de olhar para a cara da aeromoça para  ver se ela demonstra ou não medo. E, por fim, o ensinei a acender a luz de leitura e a usar a luz de chamada de comissários. Foram os 50 minutos mais rápidos da minha vida. Na verdade, nem senti passar. Já perto do pouso eu perguntei se eles haviam gostado de voar. Todos gostaram bastante, mas a mãe foi a menos empolgada na resposta. 

Pousamos em Congonhas, e assim que o avião estacionou numa remota, demonstrando ainda pouca prática com os procedimentos de desembarque, a mãe e os meninos correram para a frente do avião. E, sem me despedir, perdi os meninos de vista. Minha viagem terminara ali, mas eles ainda tinham mais um voo até Ribeirão Preto. Para quem nunca havia voado de avião, fazer 4 trechos em menos de 24 horas é digno dos bons viajantes. 

Infelizmente não deu para desejar uma boa sorte e dizer que foi um prazer conhecê-los. Então, só posso esperar que esses dois jovens sejam tão bem sucedidos na vida quanto os seus homônimos são no cinema. E que eles voem muito, sempre!

imagem: aqui

1.3.12

Desconto Mondial: Março 2012

Saiu o desconto de março pessoal! Continuamos com os 5% Agora 15% mas qualquer desconto é válido, não?! Então, se você está planejando uma viagem, não esqueça de comprar o seguro viagem Mondial Assistance para cair no mundo sem preocupação.

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Boa viagem!

29.2.12

dica de restaurante em Recife: Parraxáxá

Mais um restaurante que é parada obrigatória quando volto a Recife é o Parraxáxá. Foram anos frequentando esse ambiente gostoso, com cara de interior e provando todas as delícias. Lá a gente é atendido por cangaceiros e tudo remete ao clima do sertão. As cascas de ovo em cima da cerca são para afastar o mau-olhado. Precaução nunca é demais, né? E acho que está dando certo, pois o restaurante funciona a todo vapor há 14 anos!



O Parra (para os íntimos) é daqueles lugares que não dá pra ir com pressa, até porque seu buffet vai gerar muita dúvida na hora de comer, portanto, respire fundo, pegue um prato e vá provando um pouquinho de cada coisa: carne de sol, chambaril, buchadinha, pirão da buchada, baião de dois, escondidinho, bode guisado, sarapatel, paçoca, pirão de queijo, arroz, tortas salgadas... é prato que não se acaba mais. 






Depois de comer tanta coisa gostosa, vai dar aquela moleza, mas não tem problema não, porque a mesa de doces é um desmantelo só. Tem bolo, rocambole, doces, compotas, pudim, tortas, cocadas, pamonha de forno, bolo com pudim (matador) e queijos com goiabada.







Isso tudo é só na hora do almoço e no jantar. Na ceia tem mais um monte de coisa boa: Sopas, munguzá, macaxeira, charque, queijo coalho, pão assado na chapa e a divina tapioca ensopada, para começo da conversa. Acho que não preciso falar mais, né? Até eu, que fui semana passada, já estou com água na boca. Vá ao Parraxáxá e prove você mesmo um pouco de cada delícia da tão rica cozinha pernambucana. 

(comida por quilo / na filial Boa Viagem tem algumas opções à la carte)

Boa Viagem: Av. Fernando Simões Barbosa, 1200.  
Casa Forte: Av. 17 de agosto, 807.
Diariamente a partir das 11:30 às 22:00 - ceia a partir das 18h - o restaurante de Casa Forte abre aos sábados e domingos às 7:00 para café da manhã. 
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