um post, por Carol Burgo

Carol Burgo, do Small Fashion Diary, me brindou antes de ontem à tarde com esse post. Ela disse que eu poderia ou não publicá-lo, mas é quase que uma obrigação minha compartilhar essa manifestação da inquietude de um viajante. Para situá-los um pouquinho: Carol nasceu em Recife, mas aos 5 anos foi morar em Portugal com a sua mãe e aos 18 voltou para o Brasil, porém, sua mãe e irmã seguem morando em terras lusitanas. Se quiserem saber mais, é só visitar o seu diário



Vamos ao texto:

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"Eu preciso começar este texto dizendo que Rapha nem sabe que eu estou escrevendo para o blog dela neste momento. Muito menos ela sabe que eu vou, gentilmente, pedir que ela poste meu testemunho, caso ela considere interessante. Na verdade Rapha nem sabe porquê eu quis escrever este texto, mas eu vou explicar.   

Eu visito o Rapha no Mundo todos os dias. Mesmo não deixando comentários com frequência, sempre me deleito, à distância, com os destinos que ela visita, fotografa, vive e recomenda. Me imagino visitando cada um desses lugares e constato o quanto viajar é incrível, o quanto a gente perde tempo num só lugar.

Um dia, conversando com o meu pai que nunca viajou para o exterior, eu perguntei: Pai, você não tem vontade de conhecer a Europa? E ele respondeu: "eu só vou conhecer a Europa no dia em que eu conhecer o Brasil de uma ponta a outra."

Na altura eu achei meio absurdo, por que sempre considerei a Europa um dos continentes mais interessantes para se fazer uma viagem inesquecível, mas hoje eu vejo como meu pai tem razão. Nós não conhecemos nossa própria casa, mas queremos conhecer a dos outros. E isso explica o que vem a seguir.

Passei 15 anos da minha vida em Portugal, ali colada com o berço da cultura européia, perto de todos os países que todo mundo sonha conhecer, a um trem de distância de qualquer lugar novo completamente incrível, a poucos euros das maiores obras de arte do mundo, dos museus mais faraônicos, das paisagens mais deslumbrantes. Ali bem do ladinho de onde tudo acontece, o lugar onde nasceram os mais históricos movimentos artísticos, um continente que, sozinho, tem história para o mundo inteiro. Eu estava ali do lado, e nunca conheci a Europa.

Sempre achei que nunca ia sair de lá, que nunca ia voltar para o Brasil, que ia ter o resto da minha vida para conhecer Paris, a Toscana, os campos de flores da Holanda ou quem sabe os mistérios de Praga. Sempre achei que a Europa estaria ali para sempre do meu lado. E quando eu menos esperava, voei para o outro lado do oceano, sem nem ter conhecido
aquela que era a minha casa.

Hoje, no Brasil, o sonho de viajar pela Europa se tornou muito mais caro. Hoje eu tenho que juntar uma fortuna para conhecer um lugar que esteve tão próximo de mim. É como se eu tivesse que pagar caro, bem caro, pra poder entrar em casa. E com certeza quando eu finalmente conseguir conhecer a Europa, estarei em algum pacote de viagens com destino programado, com horário para apreciar um Michelangelo, com data certa para voltar. 

Agora eu percebo o que o meu pai dizia, naquelas palavras que eu julgava com puro desdém: vamos conhecer a nossa casa como se fôssemos turistas deslumbrados, por que tudo isso está aqui do nosso lado, e a gente nunca sabe para que outro lado uma viagem nos pode levar."
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Sei como Carol se sente quando relata a distância entre sonhar e realizar. Assim como quando narra o quanto sua experiência de vida contribuirá para não perder nenhuma oportunidade que surgir. Quanto ao que devemos conhecer, posso testemunhar como viajante, que não importa o destino nem quão perto ou longe ele esteja, sempre vivenciaremos e seremos expostos à coisas únicas. 

Só nas ladeiras de Olinda pularemos o famoso carnaval pernambucano. Francesinha, só comeremos no Porto, em Portugal. A Monalisa, só é possível ver no Louvre, assim como a maravilhosa praia de Ipanema que só tem no Rio. Para comer o autêntico barreado só indo ao Paraná e só indo a Berlim podemos ver o que sobrou do muro.  


O raphanomundo vai continuar buscando estas coisas únicas, porque é isso que nos alimenta e nos motiva a realizar os nossos sonhos. 
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Comentários

  1. me inspirou a fazer um post sobre como ser turista na cidade que eu cresci :-P quem sabe eu não mando tbm... imitante, hahahahaahaha

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  2. ô delícia, manda mesmo! vou adorar, cami :*

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  3. que emoção! *_* o Rapha no Mundo vai virar um blog colaborativo. heheheheheheheh :P

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  4. hahahahahha tô adorando a ideia, Carol! :D

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  5. Nossa, esse último parágrafo é sensacional!

    "...por que tudo isso está aqui do nosso lado, e a gente nunca sabe para que outro lado uma viagem nos pode levar".

    Show Carol. Logo você conhece toda "sua antinga casa". :)

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  6. aahhh carol, me deu invejinha de vc né?? não vou mentir hahahahahaha

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  7. Belo texto, Carol! =) Há anos, tenho me mudado constantemente (estou no meio de uma mudança agora). E tento viver assim: procuro conhecer meu novo lar com olhos de turista, sem deixar para depois, pois nunca sabemos quanto tempo teremos...

    Rapha, menina, você é uma sortuda de ganhar este presente: um post tão poético!

    Parabéns às duas!
    Bjs

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  8. Isso, Fabi. Temos que aproveitar todas as oportunidades que nós temos e nunca deixar pra depois!

    Obrigada pela visita :*

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  9. Que lindo!
    Rapha! Carol! Fabi!
    Tudo que mexe com minhas emoções me encanta!
    Esse post da Carol, as mudanças da Fabi(meu apelido era cigana!), a sensação de ouvir as risadas da Rapha!
    E as dicas que ela nos dá (sobre o meu cruzeiro/travessia, ela foi no mesmo navio!pode?)!
    Inclusive o sentimento da Carol... revelado aqui, nas entrelinhas!
    Rapha por isso seu blog não é só mais um...!
    É praticamente personalizado!
    Adoro!
    Bj Querida!

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  10. ô Beta, que comentário mais lindo! acho que o mais legal de ter esse blog é poder descobrir pessoas especiais como você no meio do caminho!

    muito obrigada pelo carinho.

    beijo grande :*

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