Chapada dos Guimarães - O cerrado se vê nos detalhes

A convite da pousada Casa da Quineira nos juntamos a outros 5 blogs de viagens no #ChapadaBlog, uma ação bacana para que nós, viajantes, conhecêssemos em um fim de semana alguns encantos da Chapada dos Guimarães. A viagem foi uma sucessão de descobertas, uma vez que para mim tudo era novidade, desde o estado do Mato Grosso em si até o calor que faz por lá. Já na estrada, partindo de Cuiabá, avistar em um primeiro contato o paredão da chapada foi emocionante, um pequeno teaser do que viria adiante.


Manu Laurindo - Guia da Chapada
A programação começou na manhã do sábado e seguiu intensa até os últimos minutos. Nossa guia, Manu Laurindo, comunicativa e muito extrovertida, foi peça fundamental nesse fim de semana. Com um fôlego contagiante, foi ela a responsável por nos apresentar cadenciadamente a Chapada, o Cerrado e suas particularidades. O roteiro foi bem montado, começando a reter nossa atenção timidamente no Mirante do Centro Geodésico, que marca o ponto equidistante 1.600km entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Avista-se o encontro da planície com a Chapada. Ali, na pontinha do mirante, os mais corajosos se sentam e garantem para a posteridade o registro desse feito. 


Mirante do Morro dos Ventos foi a segunda parada do dia. Contando com uma estrutura um pouco mais reforçada, com duas plataformas projetadas para o penhasco, avistamos a pequena Cachoeira do Amor e temos mais uma bela vista de toda a região. Essa época do ano, por causa das queimadas, a visibilidade reduz bastante, mas nada que comprometa a experiência. Já na Ponta do Campestre, a terceira atrativo do roteiro, chegamos de carro no ponto certo para a trilha de descida até o mirante. De lá, segundo relatos, em dias de céu limpo avistamos Cuiabá.

Mirante do Centro Geodésico - Chapada dos Guimarães -  MT

Quem preferir pode fazer algumas trilhas de bike

Vista do mirante do Morro dos Ventos - Chapada dos Guimarães - MT


Acredito que a manhã do sábado tentou nos preparar para o que viria à tarde. Tentou, mas não conseguiu. Depois de 28km divididos entre estrada, areal e barro batido, chegamos à entrada da Cidade de Pedra – atrativo pertencente ao Parque Nacional da Chapada dos Guimarães –, para mim, o ponto mais sensacional dessa viagem.

Antes mesmo de entrar na trilha ficamos cara a cara com pegadas recentes de onça, muito comum na região. A uma curta caminhada dali chegamos ao primeiro mirante, na pontinha do paredão avistamos as mais variadas formações rochosas esculpidas ao sabor dos ventos e das chuvas. Assim se segue o passeio, entre trilhas, mirantes e paredões, do alto de quase 400 metros, vemos a natureza quase nos engolir tamanha a sua grandeza. Ao fazer silencio é possível ouvir um rio correr ao longe, ao abrir bem os olhos (contando com um bocadinho de sorte) nos deparamos com a beleza das araras – que andam aos pares – e seus ninhos nos paredões da chapada. Ficou claro para mim que o cerrado é uma terra de contrastes e detalhes, na oposição do barro bem vermelho, forte, ao céu azul bebê, delicado. Nas árvores quase carbonizadas, pós-queimadas, de onde vemos surgir brotos verde-esmeralda. Na fragilidade das flores e frutos que surgem sem pedir licença. Foi difícil não se emocionar por assistir ao início de mais um pôr-do-sol. Parece clichê, mas nenhum cansaço resiste à força da natureza, portanto na lembrança, só beleza.


O contraste entre a força e a delicadeza da natureza se manisfesta na Cidade de Pedras - Chapada dos Guimarães - MT

Esculpida pela força dos ventos e das chuvas

Fenda no paredão da Cidade de Pedras - Chapada dos Guimarães - MT

                        

Calango do Cerrado

Coruja Buraqueira na estrada para a Cidade de Pedras

Texturas do Cerrado - Chapada dos Guimarães - MT
   

Cidade de Pedras - Chapada dos Guimarães - MT

Algodão do Cerrado

Broto de Pequi

                         

Contrastes do Cerrado - Chapada dos Guimarães - MT

Mini Orquídea do Cerrado - Chapada dos Guimarães - MT

Pôr-do-Sol do Cerrado - Chapada dos Guimarães - MT

Coroando a viagem, que passou num piscar de olhos, o domingo se dividiu entre conhecer o clássico e ter esforços recompensados. Primeiro, visitamos o Mirante da Cachoeira do Véu de Noiva – o cartão postal da Chapada dos Guimarães –, que também faz parte do conjunto de atrativos do Parque Nacional. A trilha até lá é fácil, mas o calor é um grande obstáculo a ser vencido. Uma curiosidade, de todas as cachoeiras “Véu de Noiva” que eu já conheci, essa é a que mais se assemelha a um véu de verdade. São 89 metros de uma queda d’água belíssima. Finalizando o roteiro de atrativos turísticos da Chapada dos Guimarães, a gente não poderia voltar pra casa sem um banho de cachoeira, não é? E foi assim, quase que abençoando os caminhos que estão por vir, que enfrentamos a trilha mais complicada da viagem e nos deixamos reenergizar nas frias águas da Cachoeira da Geladeira.

Cachoeira do Véu de Noiva - Cartão Postal de Chapada dos Guimarães

A caminho da Cachoeira da Geladeira

                            

Quando eu nem sabia o que cerrado significava, lembro que minha avó usava barro para adubar as suas plantas e sempre pedia para que se encontrássemos barro em nossas viagens, levasse um pouco pra ela. Muitos anos depois, consigo entender a sabedoria da minha avó, o poder que a terra tem e me vejo encantada com a força de regeneração do cerrado e, ao mesmo tempo, a sua delicadeza. Fiquei muito feliz de conhecer mais este bioma brasileiro e de lembrar o quão diversa é a nossa natureza. Pouco depois de decolar do aeroporto de Cuiabá, o pôr do sol reforçou o recado: a beleza do cerrado é única.

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Dicas práticas

Usar roupas leves, tênis, boné, protetor solar, repelente e beber bastante água;

Chapada dos Guimarães não tem aluguel de carro, portanto, se for alugar um carro você terá de fazê-lo em Cuiabá, ou terá que fechar a diária de um táxi em Chapada. O caminho até a Cidade de Pedras requer carro com tração 4x4 e motorista experiente. 

Serviço
  • Mirante do centro geodésico – acesso gratuito;
  • Mirante do Morro dos Ventos – em área particular – R$ 20,00 por carro;
  • Ponta do Campestre – em área particular – R$ 30,00 por carro;
  • Cidade de Pedras – acesso gratuito (agendamento prévio via ecobooking) – trilha fácil;
  • Mirante e Cachoeira Véu de Noiva – acesso gratuito – trilha fácil (muito sol - sem sombra);
  • Cachoeira da Geladeira – em área particular – R$ 7,00 por pessoa – trilha moderada (não recomendável para idosos e pessoas com dificuldade de locomoção).

Também participaram da #ChapadaBlog: Ensaios de Viagem | Esse Mundo é Nosso | Nerds Viajantes | Viajando por aí | Ziga da Zuca





>> O raphanomundo viajou a convite da Pousada Casa da Quineira.

Comentários

  1. Que lugar mais lindo, hein? E tão desconhecido da maioria de nós... Já entrou definitivamente no meu radar! Eu fiquei só babando nessa viagem e morrendo de vontade de estar com vocês, principalmente quando vi a turma boa que estava lá! :-)


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    1. Lindo, Camila! Difícil até não ser clichê ao descrevê-lo. Se não fosse a Tatá Gastão iria demorar a entrar no meu radar... Mas é o tipo de viagem que eu sei que você curte!

      A turma foi ótima, pra rir de se acabar. Espero que a gente ainda faça uma dessas juntas ;)

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  2. Lindo relato com fotos belíssimas! Você conseguiu captar a beleza de cada detalhe. Parabéns!
    Beijos,
    Lillian.

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    1. Obrigada, Lilian! Você estava lá e deve saber como é difícil transformar em palavras a emoção de conhecer esse lugar, mas acho que consegui passar um pouquinho ;)

      Beijão!

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  3. Adorei Rapha. Muito legal ver como cada um enxerga de um jeito e com seus sentidos. Parabéns bjos

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    1. É muito legal ver a percepção de cada um, né Rafa? Fomos apresentados ao mesmo lugar, ao mesmo tempo, e ainda assim, os resultados apresentados serão bem diferentes!

      Beijão! :*

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