Caminhando a partir da Estação Central de Düsseldorf em direção a Immermannstraße você vai notar a mudança de idioma no letreiros. Aos poucos o alemão vai ficando para trás dando lugar aos ideogramas japoneses nas placas de rua, inclusive nas informações oficiais. O movimento de cosplayers nas calçadas em algum ponto da rua pode parecer fazer com que você se sinta em Harajuku. Em alguns momentos o conjunto lembra mais uma esquina de Tóquio do que o centro de uma cidade alemã. Mas você está na Alemanha, mais precisamente na Little Tokyo, o bairro japonês que passa pela Immermannstraße, com extensões pela Klosterstraße e pela Oststraße, e um dos motivos que fazem de Düsseldorf uma das cidades mais interessantes e efervescentes da Alemanha.


Little Tokyo além dos restaurantes
O bairro não vive só de comida. Supermercados como o Shochiku e o Japan Plaza vendem desde wasabi fresco a bebidas japonesas difíceis de achar em qualquer outro lugar do continente. Livrarias como a Takagi, fundada por imigrantes japoneses e hoje um point para fãs de mangá, completam o roteiro, assim como cafés, papelarias e lojas de produtos de decoração e chás. A comunidade também organiza, desde 2002, o Japan Day, evento anual que atrai multidões ao centro de Düsseldorf para celebrar a cultura japonesa com música, comida de rua e fogos de artifício às margens do Reno. Ainda vou nessa festa!

Por que vale a visita
O que torna a Little Tokyo especial é que ele não parece artificial, definitivamente não é um bairro construído para turistas, mas sim um pedaço genuíno de vida japonesa que se desenvolveu de forma espontânea ao longo de sete décadas. Caminhar por suas ruas é sentir, por algumas horas, a atmosfera de uma cidade do Japão sem sair da Alemanha, e de quebra, provar alguns dos pratos mais saborosos que se pode encontrar no país inteiro.

Uma comunidade que remonta ao pós-guerra
Para entender por que esse pedaço de Japão existe justamente nesse lugar, é preciso voltar aos anos 1950. Foi quando empresas japonesas, no processo de reconstrução do país após a Segunda Guerra, passaram a buscar parceiros comerciais na região do Ruhr, referência em siderurgia e produtos químicos. Düsseldorf, com localização central na Europa e proximidade do porto de Duisburg, virou a porta de entrada ideal. Na década seguinte, o boom econômico japonês consolidou a mudança. Com isso, a Câmara de Comércio Japonesa foi fundada em 1966 e, já em 1968, cerca de cem empresas japonesas operavam na região.
Para entender por que esse pedaço de Japão existe justamente nesse lugar, é preciso voltar aos anos 1950. Foi quando empresas japonesas, no processo de reconstrução do país após a Segunda Guerra, passaram a buscar parceiros comerciais na região do Ruhr, referência em siderurgia e produtos químicos. Düsseldorf, com localização central na Europa e proximidade do porto de Duisburg, virou a porta de entrada ideal. Na década seguinte, o boom econômico japonês consolidou a mudança. Com isso, a Câmara de Comércio Japonesa foi fundada em 1966 e, já em 1968, cerca de cem empresas japonesas operavam na região.
Hoje esse número passa de 400 companhias só em Düsseldorf, entre elas Mitsubishi, Hitachi e Toyota. A comunidade japonesa residente na cidade é estimada entre 7 e 8 mil pessoas, o que faz da capital da Renânia do Norte-Vestfália a terceira maior comunidade japonesa da Europa, atrás apenas de Londres e Paris. Não à toa, o bairro também é chamado de "Klein-Tokio am Rhein”, ou, em português, Pequena Tóquio às margens do Reno.
O coração gastronômico da Immermannstraße
Mas é na comida que a Little Tokyo mais se revela. A rua concentra dezenas de endereços que vão do informal à alta gastronomia. São casas de ramen com fila na porta, restaurantes tradicionais especializados em sushi, docerias japonesas e até o Nagaya, do chef Yoshizumi Nagaya, que combina a tradição culinária japonesa com influências da alta gastronomia europeia e ostenta uma estrela Michelin.
Entre os endereços do bairro, um se destaca, o izakaya 1oder8, na Klosterstraße. O espaço reproduz o conceito japonês de tachinomiya (bar para beber em pé), você não necessariamente fica em pé, mas o lugar é pequeno, aconchegante e despojado, sem mesas, só balcão e bancos altos. À frente da cozinha está o chef Koki Takahashi, que viveu em Nova York e Amsterdã antes de se instalar em Düsseldorf e que assina pratos como o delicioso karaage e diferentes versões de omurice, prato afetivo que aprendeu a cozinhar ainda criança, para a mãe.
Entre os endereços do bairro, um se destaca, o izakaya 1oder8, na Klosterstraße. O espaço reproduz o conceito japonês de tachinomiya (bar para beber em pé), você não necessariamente fica em pé, mas o lugar é pequeno, aconchegante e despojado, sem mesas, só balcão e bancos altos. À frente da cozinha está o chef Koki Takahashi, que viveu em Nova York e Amsterdã antes de se instalar em Düsseldorf e que assina pratos como o delicioso karaage e diferentes versões de omurice, prato afetivo que aprendeu a cozinhar ainda criança, para a mãe.
E é ali que está o prato mais incrível do cardápio: o Cream Udon (já fui três vezes ao 1oder8 e não consigo pedir outra coisa). Um macarrão cremoso, reconfortante e diferente de qualquer coisa que se costuma encontrar em restaurantes japoneses na Alemanha, o caldo aveludado é feito com creme de leite e kimchi (sim, é apimentado), cogumelos e barriga de porco cortada fininha, coroados por camarões grandes. Não é exagero dizer que é a melhor coisa que eu já comi no país inteiro, além de ser um retrato claro da fusão multicultural que acontece lindamente em Düsseldorf.
Para sobremesa, o endereço certo é o Bing Go, casa especializada em doces japoneses. Taiyaki, kakigori (dependendo da época do ano) e sorvete de matcha estão entre os destaques, não é raro encontrar fila na porta, sobretudo nos fins de semana.
Para sobremesa, o endereço certo é o Bing Go, casa especializada em doces japoneses. Taiyaki, kakigori (dependendo da época do ano) e sorvete de matcha estão entre os destaques, não é raro encontrar fila na porta, sobretudo nos fins de semana.

Little Tokyo além dos restaurantes
O bairro não vive só de comida. Supermercados como o Shochiku e o Japan Plaza vendem desde wasabi fresco a bebidas japonesas difíceis de achar em qualquer outro lugar do continente. Livrarias como a Takagi, fundada por imigrantes japoneses e hoje um point para fãs de mangá, completam o roteiro, assim como cafés, papelarias e lojas de produtos de decoração e chás. A comunidade também organiza, desde 2002, o Japan Day, evento anual que atrai multidões ao centro de Düsseldorf para celebrar a cultura japonesa com música, comida de rua e fogos de artifício às margens do Reno. Ainda vou nessa festa!

Por que vale a visita
O que torna a Little Tokyo especial é que ele não parece artificial, definitivamente não é um bairro construído para turistas, mas sim um pedaço genuíno de vida japonesa que se desenvolveu de forma espontânea ao longo de sete décadas. Caminhar por suas ruas é sentir, por algumas horas, a atmosfera de uma cidade do Japão sem sair da Alemanha, e de quebra, provar alguns dos pratos mais saborosos que se pode encontrar no país inteiro.






