Diário pessoal da viagem de imprensa da Organização Mundial de Jornalismo Turístico (OMPT) pelo norte argentino. Por Jacqueline Granda e Traduzido por Rapha Aretakis
Em setembro de 2026, durante minha primeira viagem à Argentina, tive a oportunidade de conhecer Catamarca como parte do roteiro de imprensa da Organização Mundial de Jornalismo de Turismo (OMPT). Foi uma viagem de paisagens, sabores, patrimônio, música e, sobretudo, de encontros com pessoas que me ajudaram a descobrir a identidade desta província.
Nossa experiência foi coordenada por Débora Ruiz, da Infoturismo Argentina. Agradeço também a Miguel Ledhesma, à OMPT, à Likea Travel e a todas as pessoas que nos receberam durante o percurso.
Gostei de descobrir a história da cidade por meio da arquitetura, de me aproximar das expressões artísticas locais, de saber mais sobre os tecidos e as fiações tradicionais e de perceber a importância da arqueologia e da mineração na identidade provincial. Seus recursos expositivos e imersivos permitem explorar as paisagens, as tradições e as histórias de Catamarca de um jeito muito atraente.
Também me chamou a atenção a relação entre os recursos naturais, os ofícios artesanais e a criatividade de quem transforma matérias-primas em peças cheias de identidade.
Tive ainda a oportunidade de entrevistar Daiana Roldán, ministra de Cultura, Turismo e Esportes de Catamarca, uma conversa que me permitiu conhecer melhor o trabalho feito para valorizar o patrimônio e compartilhá-lo com os visitantes.
Há lugares que informam e outros que conseguem despertar a sua curiosidade. O CATA fez as duas coisas comigo. Saí feliz por tudo o que aprendi e com a sensação de que ainda havia muito a descobrir nesta província.
A Rosa do Inca: uma joia de Catamarca que eu quis levar comigo
Se há algo que identifica Catamarca, além de suas paisagens e sua cultura, é uma pedra muito especial: a rodocrosita, também conhecida como Rosa do Inca.
Sua cor rosada, suas veias e sua beleza fazem com que seja difícil passar despercebida. Esse mineral é um dos grandes símbolos da província e é extraído das Minas Capillitas, no departamento de Andalgalá, região reconhecida por sua riqueza mineralógica.
E, claro, foi inevitável comprar de novo joias feitas com essa pedra. Como resistir a levar uma lembrança tão bonita de um lugar que me deu tantas experiências?
Para mim, comprar uma peça artesanal durante uma viagem vai além de adquirir um objeto bonito. É uma forma de apoiar a economia local, valorizar o trabalho de artesãos e joalheiros e contribuir para que esses ofícios continuem fazendo parte da identidade de um destino. Além disso, cada vez que eu olhar minhas joias, vou me lembrar de Catamarca, de sua gente e de tudo o que vivi lá.
Gostei de saber que no CATA também fica a loja Rosa del Inca, com joias e artesanato feitos com rodocrosita. É uma maneira de conectar o patrimônio mineral da província com o talento de quem transforma essa pedra em peças únicas.
Levei mais do que uma joia: levei uma lembrança de Catamarca e uma pequena amostra de sua riqueza cultural.
Lo de Lalo: uma experiência gastronômica para recordar
Entre as experiências que vivi nesta viagem de imprensa por Catamarca, a visita ao Lo de Lalo ocupa um lugar especial. Foi uma das minhas experiências gastronômicas favoritas e uma dessas paradas que acabam sendo muito mais do que sentar para comer. O detalhe de nos fazer sentir especiais, com um cardápio dedicado ao Fam Press OMPT 2026, impresso junto com um cartão de boas-vindas, foi único.
Tivemos a oportunidade de conhecer o local, provar parte da proposta e descobrir a história por trás deste empreendimento familiar. À mesa, compartilhamos sabores bem catamarquenhos, como empanadas, humitas e outras preparações regionais. Mas um prato conquistou especialmente a minha admiração: o sorrentino de humita. Aqui no Equador já estou procurando por ele nos cardápios de restaurantes de cozinha argentina, sem muito sucesso, o que é um sinal de que preciso voltar.
Adorei essa forma de reinterpretar um sabor tão tradicional e apresentá-lo em uma preparação diferente. Estava realmente delicioso, daqueles pratos de que a gente se lembra mesmo depois de voltar para casa. Meus parabéns por essa proposta!
Foi também muito bonito conhecer um pouco mais sobre Lalo, sua família e o caminho deste empreendimento que começou em El Rodeo e hoje está presente em diversos pontos de Catamarca. Por trás de cada projeto gastronômico há pessoas, histórias e muito trabalho, e conhecê-los nos permite valorizar de outra forma o que chega à nossa mesa.
Agradeço de coração os lindos detalhes e a hospitalidade que tiveram conosco como integrantes da Organização Mundial de Jornalismo de Turismo (OMPT). São esses gestos que fazem de uma visita uma lembrança especial.
Saí do Lo de Lalo com novos sabores na memória e com a certeza de que foi uma dessas experiências que eu voltaria a viver. Porque viajar também é sentar-se à mesa, ouvir histórias e descobrir a identidade de um destino por meio de sua gastronomia.
E sim, ainda me lembro daquele sorrentino de humita. Que delícia!
O Museu da Festa do Poncho: uma celebração que transcende fronteiras
Outro lugar importante do nosso roteiro foi o Museu da Festa do Poncho, localizado no Predio Ferial de Catamarca (parque de exposições). Visitá-lo me permitiu me aproximar de uma das celebrações mais representativas da província e entender por que o poncho é muito mais do que uma peça de roupa: é identidade, tradição, história e trabalho artesanal.
A Festa Nacional e Internacional do Poncho reúne artesãos, produtores, artistas e visitantes em torno de uma expressão cultural profundamente ligada a Catamarca. Os tecidos, as cores, as técnicas e os conhecimentos transmitidos entre gerações fazem parte de um patrimônio que merece ser conhecido e valorizado.
Nesse espaço também encontramos uma história especialmente significativa para nós, por nosso vínculo com o jornalismo de turismo. Debora Ruiz escreveu a Crônica de uma emoção chamada Festa Nacional e Internacional do Poncho (em espanhol), dedicada à edição de 2025 dessa celebração.
A Festa do Poncho recebeu o reconhecimento de Evento do Ano nos prêmios internacionais Pasaporte Abierto, concedidos pela Organização Mundial de Jornalismo de Turismo (OMPT), enquanto a crônica de Débora obteve uma menção especial na categoria Originalidade.
O reconhecimento ligado a essa história repousa no museu, onde adquire um significado especial: não se trata apenas de um prêmio, mas de uma forma de preservar a memória de uma celebração que soube projetar a identidade catamarquenha para além de suas fronteiras.
Como jornalista de turismo, emociona-me encontrar exemplos de como uma história bem contada pode ajudar a dar visibilidade à cultura de um lugar e despertar em outras pessoas o desejo de conhecê-lo.
A cidade e suas diferentes maneiras de contar histórias
Durante nossa estadia em San Fernando del Valle de Catamarca, também percorremos outros espaços que ajudam a entender a vida da cidade: a Fábrica de Tapetes, onde o trabalho artesanal se transforma em expressão cultural; a Casa de la Puna, com suas referências aos têxteis e às tradições de altitude; a Catedral Basílica; o Estádio Bicentenário; a Gruta da Virgem do Vale; o Ecoparque El Jumeal e o Sítio arqueológico Pueblo Perdido de la Quebrada. Cada lugar oferece um olhar diferente. Alguns nos aproximam da história e da fé; outros, dos ofícios e da vida cotidiana; e outros nos lembram da relação da comunidade com seu entorno natural.
No Pueblo Perdido de la Quebrada, por exemplo, o patrimônio arqueológico permite vislumbrar as marcas de quem habitou esta região muito antes de nós. São lugares que convidam a parar e lembrar que um destino não começa quando chegamos: ele tem uma história que merece ser ouvida.
Bodega Michango: sabores, vinho e hospitalidade
Na Bodega Michango fomos recebidos por Oscar e Paula Andreatta. Foi uma oportunidade de conhecer uma proposta que combina produção vitivinícola, gastronomia e hospitalidade. Marco preparou umas empanadas deliciosas que combinaram muito bem com a experiência. Também desfrutamos de uma degustação de vinhos e de uma breve apresentação de folclore que nos conectou com as expressões culturais da região. São encontros em que a gastronomia deixa de ser apenas uma parte da viagem e se torna uma porta para conhecer as pessoas, seus projetos e aquilo que desejam compartilhar com quem chega à sua terra.
El Rodeo: natureza, fé e caminhos que convidam a descobrir
Nossa visita a El Rodeo nos permitiu conhecer outra faceta de Catamarca, cercada de natureza e com uma profunda presença da devoção à Virgem do Vale. Um dos lugares que me chamou a atenção foi La Mesadita, uma pequena gruta junto ao rio Los Nogales, rodeada de vegetação e ligada à devoção à Virgem del Valle. É um espaço simples, íntimo e carregado de significado para quem chega até lá para agradecer, rezar ou encontrar um momento de tranquilidade.
Também conhecemos o monumento à Virgem del Valle, situado no Camino de la Fe, perto de El Rodeo. A imagem monumental se eleva cerca de 52 metros da base ao topo da coroa e fica em um ambiente de altitude, a aproximadamente 1.630 metros acima do nível do mar. O acesso inclui um percurso de cerca de seis quilômetros e, para quem chega ao mirante interno, 117 degraus. Quando foi inaugurada, em 2024, a imagem foi apresentada como a estátua mariana mais alta do mundo; posteriormente, passou a ser citada como a segunda mais alta.


A Virgem do Vale ocupa um lugar muito importante na identidade catamarquenha. É reconhecida como Padroeira Nacional do Turismo desde 1974 e está ligada à proteção dos viajantes. Também é associada à proteção de quem pratica paraquedismo.
Além das dimensões do monumento, achei interessante ver como a fé, a natureza e o turismo se encontram neste lugar. Para muitos visitantes, o percurso é também uma experiência de agradecimento e conexão espiritual.
Huellas: vinhos, música e chacarera
No restaurante bistrô Huellas, vivemos uma experiência que reuniu gastronomia, vinhos e música. Tivemos a oportunidade de degustar os vinhos reserva da Veralma, uma vinícola de Tinogasta, Catamarca, cujos vinhos nos encantaram durante a refeição.
Adoro quando uma viagem permite conectar a cozinha local com os produtos de quem trabalha a terra. Cada taça conta algo da paisagem, do clima e do cuidado que há por trás de uma garrafa. Neste caso, os vinhos foram outra maneira de descobrir os sabores da província. A noite também foi embalada pela música de La Tríada Catamarca e Cristian Campos. Não fiquei só ouvindo: aprendi alguns passos de chacarera e me animei a participar. Que bom é se deixar levar pela música de um lugar e aprender algo novo enquanto se viaja!
Flor de Tusca: uma noite de folclore e encontros
Na Peña Flor de Tusca (casa de shows tradicional de folclore), desfrutamos de um jantar delicioso e de um atendimento excelente. Mesmo sendo segunda-feira, o lugar estava lotado de pessoas que tinham ido compartilhar a música e a dança. Néstor Pacheco me convidou a subir ao palco e contar minha experiência como equatoriana em Catamarca. Depois de dizer algumas palavras, acabei dançando com ele, enquanto os irmãos Rodríguez tocavam. Ver tantas pessoas dançando juntas me fez pensar, por um instante, em Bridgerton, mas numa versão catamarquenha, com folclore, alegria e muita proximidade. O que mais gostei foi sentir que não éramos simples visitantes olhando de fora: claro que fomos, e fomos dançarinos ativos nessa celebração.
Durante a noite, várias pessoas se aproximaram para me cumprimentar, e algumas me pediram que mandasse abraços para suas famílias no Equador ou me contaram que já tinham visitado meu país. Esses pequenos encontros me lembraram de que o turismo também constrói laços entre pessoas que talvez vivam longe, mas encontram algo em comum numa conversa, numa canção ou numa dança.
Viajar para encontrar pessoas
De Catamarca levo suas paisagens, seu patrimônio, seus tecidos, a beleza da Rosa do Inca, seus vinhos, seus sabores e sua música. Mas também levo a lembrança das pessoas que nos abriram as portas e compartilharam conosco aquilo que torna especial a sua província.
Obrigada a Débora Ruiz pela coordenação e por nos acompanhar neste percurso; a Miguel Ledhesma e à OMPT por tornarem possível este encontro; à Likea Travel e a todas as pessoas que nos receberam, compartilharam seus conhecimentos e nos fizeram sentir bem-vindos.
Catamarca me lembrou de que conhecer um destino vai muito além de visitar suas principais atrações. É aprender sobre sua história, ouvir quem a mantém viva, valorizar os ofícios locais, provar seus sabores, participar de suas celebrações e apoiar quem trabalha para que sua cultura continue crescendo.
Se tiverem a oportunidade de visitar esta província argentina, reservem um tempo para conhecer seus museus e espaços culturais, conversar com seus artesãos, provar suas empanadas, ouvir uma peña e descobrir a história por trás de cada lugar.
E se encontrarem uma joia de rodocrosita, talvez entendam por que eu também não consegui resistir e levei uma comigo. Há lembranças que cabem numa mala e outras que, cada vez que as olhamos, nos devolvem a um lugar e às pessoas que tornaram especial a nossa visita.
Em setembro de 2026, durante minha primeira viagem à Argentina, tive a oportunidade de conhecer Catamarca como parte do roteiro de imprensa da Organização Mundial de Jornalismo de Turismo (OMPT). Foi uma viagem de paisagens, sabores, patrimônio, música e, sobretudo, de encontros com pessoas que me ajudaram a descobrir a identidade desta província.
Nossa experiência foi coordenada por Débora Ruiz, da Infoturismo Argentina. Agradeço também a Miguel Ledhesma, à OMPT, à Likea Travel e a todas as pessoas que nos receberam durante o percurso.
CATA: um lugar para se apaixonar por Catamarca
Uma das visitas de que mais gostei foi o CATA, o Centro de Arte e Tecnologia Aplicada, em San Fernando del Valle de Catamarca. Eu amei! Foi um desses lugares em que a gente quer ficar mais tempo, olhar com atenção e continuar descobrindo.
O CATA propõe uma forma diferente de conhecer a província: combina história, arte, tecnologia, arqueologia, mitologia e produção local para mostrar as diversas dimensões da identidade catamarquenha.
Uma das visitas de que mais gostei foi o CATA, o Centro de Arte e Tecnologia Aplicada, em San Fernando del Valle de Catamarca. Eu amei! Foi um desses lugares em que a gente quer ficar mais tempo, olhar com atenção e continuar descobrindo.
O CATA propõe uma forma diferente de conhecer a província: combina história, arte, tecnologia, arqueologia, mitologia e produção local para mostrar as diversas dimensões da identidade catamarquenha.
Gostei de descobrir a história da cidade por meio da arquitetura, de me aproximar das expressões artísticas locais, de saber mais sobre os tecidos e as fiações tradicionais e de perceber a importância da arqueologia e da mineração na identidade provincial. Seus recursos expositivos e imersivos permitem explorar as paisagens, as tradições e as histórias de Catamarca de um jeito muito atraente.
Também me chamou a atenção a relação entre os recursos naturais, os ofícios artesanais e a criatividade de quem transforma matérias-primas em peças cheias de identidade.
Tive ainda a oportunidade de entrevistar Daiana Roldán, ministra de Cultura, Turismo e Esportes de Catamarca, uma conversa que me permitiu conhecer melhor o trabalho feito para valorizar o patrimônio e compartilhá-lo com os visitantes.
Há lugares que informam e outros que conseguem despertar a sua curiosidade. O CATA fez as duas coisas comigo. Saí feliz por tudo o que aprendi e com a sensação de que ainda havia muito a descobrir nesta província.
A Rosa do Inca: uma joia de Catamarca que eu quis levar comigo
Se há algo que identifica Catamarca, além de suas paisagens e sua cultura, é uma pedra muito especial: a rodocrosita, também conhecida como Rosa do Inca.
Sua cor rosada, suas veias e sua beleza fazem com que seja difícil passar despercebida. Esse mineral é um dos grandes símbolos da província e é extraído das Minas Capillitas, no departamento de Andalgalá, região reconhecida por sua riqueza mineralógica.
E, claro, foi inevitável comprar de novo joias feitas com essa pedra. Como resistir a levar uma lembrança tão bonita de um lugar que me deu tantas experiências?
Para mim, comprar uma peça artesanal durante uma viagem vai além de adquirir um objeto bonito. É uma forma de apoiar a economia local, valorizar o trabalho de artesãos e joalheiros e contribuir para que esses ofícios continuem fazendo parte da identidade de um destino. Além disso, cada vez que eu olhar minhas joias, vou me lembrar de Catamarca, de sua gente e de tudo o que vivi lá.
Gostei de saber que no CATA também fica a loja Rosa del Inca, com joias e artesanato feitos com rodocrosita. É uma maneira de conectar o patrimônio mineral da província com o talento de quem transforma essa pedra em peças únicas.
Levei mais do que uma joia: levei uma lembrança de Catamarca e uma pequena amostra de sua riqueza cultural.
Lo de Lalo: uma experiência gastronômica para recordar
Entre as experiências que vivi nesta viagem de imprensa por Catamarca, a visita ao Lo de Lalo ocupa um lugar especial. Foi uma das minhas experiências gastronômicas favoritas e uma dessas paradas que acabam sendo muito mais do que sentar para comer. O detalhe de nos fazer sentir especiais, com um cardápio dedicado ao Fam Press OMPT 2026, impresso junto com um cartão de boas-vindas, foi único.
Tivemos a oportunidade de conhecer o local, provar parte da proposta e descobrir a história por trás deste empreendimento familiar. À mesa, compartilhamos sabores bem catamarquenhos, como empanadas, humitas e outras preparações regionais. Mas um prato conquistou especialmente a minha admiração: o sorrentino de humita. Aqui no Equador já estou procurando por ele nos cardápios de restaurantes de cozinha argentina, sem muito sucesso, o que é um sinal de que preciso voltar.
Adorei essa forma de reinterpretar um sabor tão tradicional e apresentá-lo em uma preparação diferente. Estava realmente delicioso, daqueles pratos de que a gente se lembra mesmo depois de voltar para casa. Meus parabéns por essa proposta!
Foi também muito bonito conhecer um pouco mais sobre Lalo, sua família e o caminho deste empreendimento que começou em El Rodeo e hoje está presente em diversos pontos de Catamarca. Por trás de cada projeto gastronômico há pessoas, histórias e muito trabalho, e conhecê-los nos permite valorizar de outra forma o que chega à nossa mesa.
Agradeço de coração os lindos detalhes e a hospitalidade que tiveram conosco como integrantes da Organização Mundial de Jornalismo de Turismo (OMPT). São esses gestos que fazem de uma visita uma lembrança especial.
Saí do Lo de Lalo com novos sabores na memória e com a certeza de que foi uma dessas experiências que eu voltaria a viver. Porque viajar também é sentar-se à mesa, ouvir histórias e descobrir a identidade de um destino por meio de sua gastronomia.
E sim, ainda me lembro daquele sorrentino de humita. Que delícia!
O Museu da Festa do Poncho: uma celebração que transcende fronteiras
Outro lugar importante do nosso roteiro foi o Museu da Festa do Poncho, localizado no Predio Ferial de Catamarca (parque de exposições). Visitá-lo me permitiu me aproximar de uma das celebrações mais representativas da província e entender por que o poncho é muito mais do que uma peça de roupa: é identidade, tradição, história e trabalho artesanal.
A Festa Nacional e Internacional do Poncho reúne artesãos, produtores, artistas e visitantes em torno de uma expressão cultural profundamente ligada a Catamarca. Os tecidos, as cores, as técnicas e os conhecimentos transmitidos entre gerações fazem parte de um patrimônio que merece ser conhecido e valorizado.
Nesse espaço também encontramos uma história especialmente significativa para nós, por nosso vínculo com o jornalismo de turismo. Debora Ruiz escreveu a Crônica de uma emoção chamada Festa Nacional e Internacional do Poncho (em espanhol), dedicada à edição de 2025 dessa celebração.
A Festa do Poncho recebeu o reconhecimento de Evento do Ano nos prêmios internacionais Pasaporte Abierto, concedidos pela Organização Mundial de Jornalismo de Turismo (OMPT), enquanto a crônica de Débora obteve uma menção especial na categoria Originalidade.
O reconhecimento ligado a essa história repousa no museu, onde adquire um significado especial: não se trata apenas de um prêmio, mas de uma forma de preservar a memória de uma celebração que soube projetar a identidade catamarquenha para além de suas fronteiras.
Como jornalista de turismo, emociona-me encontrar exemplos de como uma história bem contada pode ajudar a dar visibilidade à cultura de um lugar e despertar em outras pessoas o desejo de conhecê-lo.
A cidade e suas diferentes maneiras de contar histórias
Durante nossa estadia em San Fernando del Valle de Catamarca, também percorremos outros espaços que ajudam a entender a vida da cidade: a Fábrica de Tapetes, onde o trabalho artesanal se transforma em expressão cultural; a Casa de la Puna, com suas referências aos têxteis e às tradições de altitude; a Catedral Basílica; o Estádio Bicentenário; a Gruta da Virgem do Vale; o Ecoparque El Jumeal e o Sítio arqueológico Pueblo Perdido de la Quebrada. Cada lugar oferece um olhar diferente. Alguns nos aproximam da história e da fé; outros, dos ofícios e da vida cotidiana; e outros nos lembram da relação da comunidade com seu entorno natural.
No Pueblo Perdido de la Quebrada, por exemplo, o patrimônio arqueológico permite vislumbrar as marcas de quem habitou esta região muito antes de nós. São lugares que convidam a parar e lembrar que um destino não começa quando chegamos: ele tem uma história que merece ser ouvida.
Bodega Michango: sabores, vinho e hospitalidade
Na Bodega Michango fomos recebidos por Oscar e Paula Andreatta. Foi uma oportunidade de conhecer uma proposta que combina produção vitivinícola, gastronomia e hospitalidade. Marco preparou umas empanadas deliciosas que combinaram muito bem com a experiência. Também desfrutamos de uma degustação de vinhos e de uma breve apresentação de folclore que nos conectou com as expressões culturais da região. São encontros em que a gastronomia deixa de ser apenas uma parte da viagem e se torna uma porta para conhecer as pessoas, seus projetos e aquilo que desejam compartilhar com quem chega à sua terra.
El Rodeo: natureza, fé e caminhos que convidam a descobrir
Nossa visita a El Rodeo nos permitiu conhecer outra faceta de Catamarca, cercada de natureza e com uma profunda presença da devoção à Virgem do Vale. Um dos lugares que me chamou a atenção foi La Mesadita, uma pequena gruta junto ao rio Los Nogales, rodeada de vegetação e ligada à devoção à Virgem del Valle. É um espaço simples, íntimo e carregado de significado para quem chega até lá para agradecer, rezar ou encontrar um momento de tranquilidade.
Também conhecemos o monumento à Virgem del Valle, situado no Camino de la Fe, perto de El Rodeo. A imagem monumental se eleva cerca de 52 metros da base ao topo da coroa e fica em um ambiente de altitude, a aproximadamente 1.630 metros acima do nível do mar. O acesso inclui um percurso de cerca de seis quilômetros e, para quem chega ao mirante interno, 117 degraus. Quando foi inaugurada, em 2024, a imagem foi apresentada como a estátua mariana mais alta do mundo; posteriormente, passou a ser citada como a segunda mais alta.


A Virgem do Vale ocupa um lugar muito importante na identidade catamarquenha. É reconhecida como Padroeira Nacional do Turismo desde 1974 e está ligada à proteção dos viajantes. Também é associada à proteção de quem pratica paraquedismo.
Além das dimensões do monumento, achei interessante ver como a fé, a natureza e o turismo se encontram neste lugar. Para muitos visitantes, o percurso é também uma experiência de agradecimento e conexão espiritual.
Huellas: vinhos, música e chacarera
No restaurante bistrô Huellas, vivemos uma experiência que reuniu gastronomia, vinhos e música. Tivemos a oportunidade de degustar os vinhos reserva da Veralma, uma vinícola de Tinogasta, Catamarca, cujos vinhos nos encantaram durante a refeição.
Adoro quando uma viagem permite conectar a cozinha local com os produtos de quem trabalha a terra. Cada taça conta algo da paisagem, do clima e do cuidado que há por trás de uma garrafa. Neste caso, os vinhos foram outra maneira de descobrir os sabores da província. A noite também foi embalada pela música de La Tríada Catamarca e Cristian Campos. Não fiquei só ouvindo: aprendi alguns passos de chacarera e me animei a participar. Que bom é se deixar levar pela música de um lugar e aprender algo novo enquanto se viaja!
Flor de Tusca: uma noite de folclore e encontros
Na Peña Flor de Tusca (casa de shows tradicional de folclore), desfrutamos de um jantar delicioso e de um atendimento excelente. Mesmo sendo segunda-feira, o lugar estava lotado de pessoas que tinham ido compartilhar a música e a dança. Néstor Pacheco me convidou a subir ao palco e contar minha experiência como equatoriana em Catamarca. Depois de dizer algumas palavras, acabei dançando com ele, enquanto os irmãos Rodríguez tocavam. Ver tantas pessoas dançando juntas me fez pensar, por um instante, em Bridgerton, mas numa versão catamarquenha, com folclore, alegria e muita proximidade. O que mais gostei foi sentir que não éramos simples visitantes olhando de fora: claro que fomos, e fomos dançarinos ativos nessa celebração.
Durante a noite, várias pessoas se aproximaram para me cumprimentar, e algumas me pediram que mandasse abraços para suas famílias no Equador ou me contaram que já tinham visitado meu país. Esses pequenos encontros me lembraram de que o turismo também constrói laços entre pessoas que talvez vivam longe, mas encontram algo em comum numa conversa, numa canção ou numa dança.
Viajar para encontrar pessoas
De Catamarca levo suas paisagens, seu patrimônio, seus tecidos, a beleza da Rosa do Inca, seus vinhos, seus sabores e sua música. Mas também levo a lembrança das pessoas que nos abriram as portas e compartilharam conosco aquilo que torna especial a sua província.
Obrigada a Débora Ruiz pela coordenação e por nos acompanhar neste percurso; a Miguel Ledhesma e à OMPT por tornarem possível este encontro; à Likea Travel e a todas as pessoas que nos receberam, compartilharam seus conhecimentos e nos fizeram sentir bem-vindos.
Catamarca me lembrou de que conhecer um destino vai muito além de visitar suas principais atrações. É aprender sobre sua história, ouvir quem a mantém viva, valorizar os ofícios locais, provar seus sabores, participar de suas celebrações e apoiar quem trabalha para que sua cultura continue crescendo.
Se tiverem a oportunidade de visitar esta província argentina, reservem um tempo para conhecer seus museus e espaços culturais, conversar com seus artesãos, provar suas empanadas, ouvir uma peña e descobrir a história por trás de cada lugar.
E se encontrarem uma joia de rodocrosita, talvez entendam por que eu também não consegui resistir e levei uma comigo. Há lembranças que cabem numa mala e outras que, cada vez que as olhamos, nos devolvem a um lugar e às pessoas que tornaram especial a nossa visita.
❗❗❗O Jacqueline Granda e o Raphanomundo viajaram para a Argentina a convite da OMPT para participarem do maior fampress do jornalismo turístico da história.












