Noruega | Observando baleias em Tromsø

Pensamos que avistar a Aurora Boreal em Tromsø seria o ponto alto da viagem, já que havíamos tido sorte e pegamos muito tempo de atividade na nossa primeira noite por lá. Mas pesquisando outros passeios que a cidade no norte da Noruega oferece nessa época do ano, descobri que entre novembro e fevereiro – sendo o pico entre dezembro e janeiro – está o melhor período para avistar baleias. Pesquisei um pouco mais a fim de confirmar essa informação e, sim, era verdade, estaríamos em Tromsø em plena temporada das baleias jubarte e orca (também conhecida por baleia assassina).


Um parêntese e uma lembrança

Na Islândia, em 2017, nós fizemos um passeio para avistar baleias que foi um verdadeiro pesadelo. No dia marcado para o tour, por onde passamos no porto de Reykjavík, vimos avisos de “rough seas”, mar agitado em português, o dia estava feio, foi o mais feio de todos da viagem, mas mesmo assim, o barco saiu com destino ao mar aberto. Já tinha lido que a região da capital islandesa não é o melhor lugar para avistar baleias, mas com sorte, se vê. Bom mesmo seria ir até Húsavík, no norte do país, mas não tinha tempo para ir até lá, arrisquei a opção partindo de Reykjavík. 


Em menos de 15 minutos de navegação, depois de deixar a baía, parecia que estávamos num episódio de Pesca Mortal. Comecei a passar mal, logo eu, que nunca havia enjoado em passeios assim, estava entregando os pontos. Ainda consegui subir e ir para a área externa da embarcação e fazer um clique do que conseguimos avistar nesse dia. Ao voltar para dentro do barco, vejo que cerca de 98% das pessoas está na mesma situação que eu. Ou seja, fiasco total. A sorte é que na Islândia as empresas de turismo têm uma política de garantir num período de um ou dois anos, sem custo algum para o passageiro, um novo passeio caso não se aviste baleias ou a Aurora Boreal… Temos um crédito e um incentivo (como se precisasse) para voltar ao país. 



Voltando à Noruega… 

Com base na primeira e frustrante experiência na Islândia, confesso que pensamos duas vezes antes de fechar mais um passeio para avistar baleias no meio do mar, pois além de estarmos um pouco traumatizados, estamos falando de animais soltos na natureza, portanto partimos sem nenhuma garantia de sucesso e podemos contar apenas com a sorte. Mas o espírito aventureiro foi mais forte e compramos um tour num barco pequeno (€135 por pessoa) – que dizem ser melhor pois pode se aproximar mais dos animais sem causar tanto transtorno. 

Porém, poucos dias antes de zarparmos, recebemos um e-mail da empresa dizendo que as baleias não estavam onde normalmente ficam, que pela distância, o passeio não poderia ser feito na embarcação menor e sim numa mais potente, estilo catamarã. Naquele momento a gente poderia optar por esse novo barco, por cancelar o passeio e receber o dinheiro ou por fazer apenas um tour pelos fiordes noruegueses no barco menor. Sem titubear, escolhemos a primeira opção, o passeio no barco maior. A essa altura do campeonato a gente queria ver baleia!






A data escolhida não poderia ser melhor, 1°de dezembro, dia do meu aniversário. Ainda extasiada com o espetáculo da Aurora Boreal da noite anterior, que mal havia acabado, pulamos cedo da cama, tomamos um café da manhã no nosso hotel e, às 9 da manhã, já estávamos dentro do confortável catamarã da Lovund Skyss, partindo rumo ao norte da Noruega. Havia café e chá de cortesia no barco, além de lanches vendidos a preços módicos. Foram duas horas de navegação tranquila em meio à noite polar – quando o sol não nasce no ártico por um período de dois meses – até avistarmos a primeira leva de Humpback Whales, espécie conhecida no Brasil como Baleia Jubarte.






Eu queria poder contar direitinho para vocês como foi esse momento, mas me perdoem o resumo, eu fiquei muito emocionada com tudo o que vi. O barco ficou a uma certa distância, mas já dava pra ver a movimentação ao longe, aos poucos tanto o barco quanto as baleias foram se aproximando um do outro. Quando vimos, eram 4 ou 5 gigantes nadando placidamente para lá e para cá, exibindo suas caudas como um balé aquático. Em dado momento, elas ficaram posicionadas bem na luz avermelhada do “pôr do sol” que acontecia por volta do meio-dia, então vimos uma sequência de três mergulhos e, consequentemente, três caudas bem perto, bem na nossa frente. A partir daí eu só consegui chorar mesmo e agradecer o presente memorável de aniversário. 

Como se ainda não fosse o bastante, as gigantes Jubarte se cansaram do show e cederam o palco às Orcas. E foi nessa alternância da natureza, ora com Humpback Whales, ora com Orcas, que ficamos algumas horas no frio – que nem se sente direito tamanha a excitação com tudo o que ocorre ao nosso redor –, constatando que, sim, existe (muita) beleza no inverno.

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