Ontem eu olhei a data no celular e tomei um susto: amanhã (no caso, hoje) o blog faz 9 anos! Nove anos! Todo ano eu repito que criei esse espaço sem nenhuma intenção de que ele virasse o que virou, esse lugar onde as pessoas podem tirar dúvidas acercas das suas viagens, ou até mesmo viajam sem sair do lugar, se inspiram e criam novos sonhos, aqui tem de tudo um pouco. 

Vou dizer a vocês que, apesar das fotos nas redes sociais apontarem o contrário, a caminhada nunca foi fácil. E não, não estou falando que viajar pelo mundo é difícil, esse não é um momento “força guerreira”. O difícil que eu falo é fazer disso um negócio, é conseguir equilibrar a paixão por desbravar o mundo e a necessidade de se manter financeiramente. Atravessamos uma época onde nos diziam “trabalhe com o que ama e não terá que trabalhar um único dia da sua vida”… O blog viveu o começo, o meio e o fim dessa era. Hoje as pessoas afirmam que se você escolher monetizar o hobby, provavelmente, dentro de pouco tempo, você vai odiar esse hobby. E o difícil é isso, é achar a sintonia fina entre a paixão e a necessidade. E eu sigo amando o que faço, mas isso não exclui as dificuldades do dia-a-dia.



Tripulação de uma mulher só

É o trabalho de todo um veículo de comunicação executado por uma só pessoa. Após viagem feita, fotos tiradas, hospedagens testadas, destinos decodificados, voos e metrôs… enfim, depois de tudo executado é chegada a solitária hora de sentar em frente ao computador, em frente à tela em branco e escolher a melhor foto para ilustrar o texto que foi escrito da melhor forma para ajudar, encantar ou inspirar. Saibam, gerar conteúdo de verdade, honesto e preciso não é fácil. E são mais de 1.000 posts publicados até agora. Isso mesmo, mil. 

Além disso é preciso responder e-mails de solicitação de parcerias - ora incríveis, ora absurdas -, responder comentários e dúvidas que hoje em dia chegam por todos os canais e não se restringem mais somente à caixa de comentários do blog, filtrar quais as sugestões de pauta são interessantes para os leitores e para mim, manter uma presença nas redes sociais - pois hoje em dia as pessoas/empresas acham que se você não está em uma rede social você não existe. Tudo isso sozinha, sem agente, sem estagiário… É uma maratona completa. 

Mas a gente cresce… e como cresce!

E essa corrida toda acarreta num crescimento pessoal e profissional que eu não poderia imaginar. Para quem não sabe, sou publicitária de formação e sei que em um emprego formal nessa área de atuação eu não viveria um quinto do que vivo hoje. Mas essa formação foi imprescindível para poder começar a tocar esse trabalho, pois pude lançar mão de quase tudo que aprendi nos meus trabalhos anteriores, e até mesmo na universidade, e pôr em prática desenvolvendo o Raphanomundo durante esses 9 anos. Criei minha própria marca, que em pouco tempo ficou conhecida por muita gente do mercado do turismo, defini meu posicionamento e muitas vezes me reposicionei, criei ações bem sucedidas, melhorei a cada dia minha escrita e meu olhar fotográfico, conheci gente do mundo todo, viajei com profissionais incríveis e fui notícia por onde passei. Dá um orgulho danado quando olho pra trás e vejo o caminho percorrido. 

Eu e o Raphanomundo fomos notícia no jornal O Estado do Maranhão


Em frente só vejo o mar

Desde 2010 o desafio a cada dia foi ficando maior, cada vez mais pessoas foram começando novos blogs de viagem, só de jornalistas que viajaram comigo, devo conhecer uns 10 que viraram blogueiros. Aí vieram os youtubers e seus canais de viagens descolados, e por fim, chegaram os influenciadores de redes sociais, que glamourizaram o dia-a-dia enquanto viajantes, fazendo deles próprios o objeto em foco, sem as dores e delícias de se gerar, por vezes, um conteúdo com utilidade. 

É um mar de ruído. Um mar enorme! E como fazer pra se destacar? Não sei bem se destaque é a palavra, mas a preocupação com o conteúdo gerado, para mim, é primordial para seguir fazendo esse trabalho. Criar textos úteis, que respondam perguntas e, de fato ajudem o viajante, e que depois a pessoa nos dê um retorno do tipo: “Obrigada por todos esses posts sobre a Colômbia, meus pais vão passar 12 dias lá e não estavam achando guia impresso nenhum em português! imprimi seus posts e eles estão satisfeitíssimos :)”.


E pra onde nadar? 

É importante ter fôlego para atravessar esse mar. Eu seguirei dando minhas braçadas, às vezes alternando com momentos em que só boio e deixo a maré levar, mas sei que sigo em frente mesmo que por águas desconhecidas. Porque o barato dessa jornada é justamente ver o mundo com meus olhos e ajudar as pessoas a enxergá-lo também e, se por ventura alguém não possa vê-lo com seus próprios olhos, que eu seja os olhos dessa pessoa no mundo. 

Muito obrigada pela companhia até aqui. Vamos rumo aos 10 anos?