Índia | 10 coisas para fazer em Mumbai

Depois de contar para vocês as 10 coisas que eu gostaria de saber antes de embarcar numa viagem independente para a Índia, vamos começar a compartilhar nossas sugestões de roteiros pelo país. A primeira parada da nossa viagem pela Índia foi Mumbai. Apesar de não ser a mais turísticas das cidades, achei a metrópole um bom lugar para começar a aclimatação para os 14 dias que teríamos pela frente. Em Mumbai, assim como em todo o país, a partir do mês de maio, faz calor, muito calor, com umidade alta – mal sabíamos que a temperatura subiria muito mais em Varanasi e Jaipur. Adicione ao calor mais de 20 milhões de pessoas e você terá uma ideia de como são as grandes cidades indianas. Então, se você não tem medo nem de gente, nem de calor, vem ver quais são as nossas 10 dicas do que fazer em 48 horas em Mumbai:

Mural do artista brasileiro Eduardo Kobra nas imediações da estação Churchgate, no sul de Mumbai
1 – Andar no local train

Uma das imagens de Mumbai que sempre tive em mente foi a das pessoas tentando embarcar e desembarcar dos trens locais. É uma confusão generalizada, mas os indianos se entendem bem naquela confusão e dominam como ninguém a arte de andar de trem. Passadas nossas aventuras, quando os indianos perguntavam o que fizemos em Mumbai e respondíamos que andamos no local train, sempre recebíamos uma gargalhada como resposta. Nós, ocidentais, somos desencorajados a enfrentar aquela loucura toda e usar outro meio de transporte na cidade, mas quem já pegou metrô na Sé às 7 da manhã em dia útil tem alguma vantagem nessa brincadeira. Por isso, desconfiamos que no fim de semana, usando uma passagem de primeira classe, a coisa seria diferente. E não é que foi? 

Parece mentira, mas esse vagão livre é da 1a classe do local train de Mumbai.
Aposte nos fins de semana e se desloque como um verdadeiro local
O bilhete de primeira classe do trem local, que em Mumbai cobre toda a cidade e arredores, custa 10 vezes mais do que o bilhete regular e dá acesso a vagões exclusivos. Nas estações há uma sinalização para quem vai embarcar nessa classe, bem como indicativos para vagões exclusivos para mulheres. Você ainda vai ver cenas do cotidiano de Mumbai, gente batalhando para subir e descer dos trens, mas é muito provável que andará com mais espaço na primeira classe durante os fins de semana. E assim, você vai descobrir que, na Índia, espaço é luxo;

2 – Comer um thali

Para algumas pessoas a Índia é “O” destino quando se fala de comida de rua. Confesso que demoramos alguns dias até realmente conseguir comer com gosto por lá e olha que em termos de comida nós temos ZERO ressalvas, comemos de tudo. Mas, ao pesquisar antes de viajar, somos bombardeados por mensagens sobre a “higiene duvidosa” da Índia. Ao chegar lá descobrimos que realmente fica difícil arriscar e escolher uma banca aleatória para comer na rua. No entanto, Mumbai tem excelentes restaurantes com uma cena gastronômica bem interessante, vale apostar neles. Nossa primeira grande refeição indiana foi escolhida a dedo,  degustamos um thali. Esse é o nome dado ao prato redondo com vários potinhos que recebem molhos. Cada estado ou região tem sua combinação característica, mas o ideal é que um bom thali tenha o equilíbrio entre 6 sabores: doce, salgado, amargo, azedo, adstringente e apimentado. As refeições em torno do thali se tornam verdadeiros rituais e pudemos comprovar isso durante a nossa experiência. 

Na foto, o farto thali do Maharaja Bhog da filial Lower Parel
Vendo a dica da Sugar Spice Nicefoodblogger indiana, resolvemos comer no Maharaja Bhog, restaurante que tem alguns endereços na cidade e no exterior. Ao chegarmos e sermos acomodados numa mesa, somos cercados por funcionários que imediatamente começam os trabalhos. Primeiro, lavamos as mãos numa bacia com água morna e então o thali começa a ser montado. Um garçom fica responsável por nos contar sobre cada item que é adicionado ao prato, bem como nos indicar quais combinações fazer e como comer. Os potinhos e pães que compõem o prato podem ser repostos quantas vezes a gente quiser, que é o equivalente talvez, ao nosso rodízio no Brasil. Esse thali, especificamente, era vegetariano. Aliás, esse restaurante é dedicado às comidas sem origem animal. Aproveitamos que maio é o começo da temporada de mangas na Índia para comer muito o delicioso creme da fruta (aamras) que é servido durante a refeição. Foi um bom jeito de começar nossa incursão pela culinária indiana, uma experiência, no mínimo, divertida;

Preço: 600 rúpias por pessoa

3 – Usar o tuk tuk

Meio de transporte comum na Índia (e que hoje vem ganhando as ruas de outras cidades do mundo), o tuk tuk ou auto rickshaw, é uma evolução motorizada dos meios de transportes asiáticos que usavam tração humana. Usar esses veículos pode ser uma mão na roda na hora de cobrir pequenas distâncias (por volta dos 5km), os valores praticados são beeeem módicos e, se você der sorte, poderá seguir viagem com o tuksímetro hahahah (o medidor) ligado. Perto de pontos turísticos, onde ficam vários parados, é bem possível que o motorista queira negociar um valor fechado. Entre na dança e siga negociando até chegarem a um valor justo para ambas as partes. Existe um aplicativo de transporte onde você pode ver os valores médios de viagens em cada tipo de transporte público de Mumbai, é bom baixar para ter uma base de comparação na hora de negociar. 

Os tuk tuks serão um jeito, por vezes, divertido de se locomover na Índia
Vale lembrar que na parte sul de Mumbai o tráfego de tuk tuk não é permitido, então você terá que usar táxi, mas na parte central e norte da cidade a quantidade dessas motocas na rua é absurda! Utilizávamos o tuk tuk para chegar até a estação de trem ou metrô mais próxima, evitando assim a caminhada sob o sol escaldante;

4 – Fazer sightseeing

Como disse no começo do texto, Mumbai não é uma cidade essencialmente turística, mas ainda assim há alguns pontos que atraem o viajante. A cidade ainda está em fase de implementação dos ônibus estilo hop-on hop-off, bem difundidos aqui na Europa, então ainda não é uma opção. Mas descobrimos através dos nossos amigos indianos que agencias de turismo locais oferecem um pacote chamado de Darshan, que cobre o essencial turístico em 24 ou 48 horas. 

Gateway of India, o principal ponto turístico de Mumbai
Nós fomos em alguns pontos da cidade de forma independente, deu mais trabalho, algumas coisas ficaram de fora, mas foi possível fazer. Visitamos o Gateway of India e o Taj Mahal Hotel, que juntos formam o cartão-postal da cidade. O bonito prédio da estação de trem de Mumbai, Chhatrapati Shivaji Maharaj Terminus, antigamente conhecida como Victoria Terminus, hoje é patrimônio mundial da UNESCO e vale a visita. À noite, assim como muitos pontos turísticos na Índia, ele recebe uma iluminação interessante. Dependendo do seu objetivo da viagem tem muito mais o que ver, nossa lista segue indicando outros lugares a serem visitados em Mumbai;

 Ir no Banganga Lake

Esse antigo tanque que fica em Malabar Hill é cercado de lendas e histórias. Construído em 1127, hoje ele vem se tornando uma espécie de área de lazer da metrópole indiana. Não raro é possível ver crianças se banhando em suas águas,  pessoas passeando nas suas margens, rituais religiosos ou simplesmente, moradores vendo a vida passar. 

Banganga Lake, em Mumbai, cercado por templos essa área é praticamente um oásis na cidade
Parte do complexo do templo Walkeshwar, esse “lago” fica numa área surpreendentemente tranquila da cidade. Nas suas cercanias estão pelo menos uma quinzena de templos, talvez por isso, o Banganga Lake pareça um oásis de calmaria em plena Mumbai. Ali os turistas são poucos, dá para passear sob o olhar de curiosidade dos moradores e dar a volta no lago observando cenas do cotidiano de uma das maiores cidades do mundo;

6 – Ver os curiosos varais do Dhobi Ghat

Quem diria que visitar uma lavanderia poderia ser interessante? Na Índia não é incomum lavanderias  a céu aberto, o Dhobi Ghat, nas redondezas da estação de trem Mahalaxmi, é uma das mais conhecidas delas. Já ao desembarcar do trem e subir para o nível da rua é possível avistar um sem fim de varais e roupas estendidas. Chegando mais perto e apurando mais a vista, vemos os tanques onde essas roupas são lavadas – exclusivamente por homens – e alguns deles em ação, principalmente no começo da manhã ou fim da tarde. 

Lavanderias ao ar livre são uma tradição na Índia, em Mumbai você encontra uma das maiores delas
Ali são lavados muitos tipos de roupas, sobretudo as linhas de cama, mesa e banho de hotéis e hospitais. É possível contratar um tour privado e chegar mais perto, percorrendo os labirintos dessa comunidade. Há quem diga, porém, que os trabalhadores não entendem a curiosidade dos ocidentais, afinal, esse é só mais um trabalho. Após lavadas e secas, as roupas são passadas com ferro à carvão, outra cena corriqueira de quem percorre os subúrbios indianos;

7 – Assistir ao pôr do sol em Chawpatti Beach

Eu não sabia mas Mumbai é famosa também pelos seus pôres do sol. Ir à praia na Índia é um evento bem diferente do que nós brasileiros estamos acostumados. Se no Brasil vamos à praia para ver o sol nascer, em Mumbai nós vamos para ver ele se pôr. Por lá, essa atividade envolve muita roupa e pouca interação com o mar, que nem sempre é dos mais limpos. 

O pôr do sol na praia é um dos passeios recomendados em Mumbai
Mas a beleza dessas praias está justamente na hora em que o sol está prestes a ir embora. Nos fins de tarde, as orlas de Juhu Beach Chawpatti Beach ficam repletas de turistas e locais que aguardam ansiosos mais um espetáculo do sol, que assume um tom cor de laranja bem forte e desaparece lentamente no mar arábico. Uma paisagem que deixa qualquer caos para trás;

8 – Provar a nova cozinha indiana 

Além de poder apostar numa comida de rua e na gastronomia tradicional indiana, em Mumbai, o viajante vai encontrar uma boa gama de restaurantes com propostas modernas. A cena da cozinha fusion vem fazendo sucesso na cidade indiana e não faltam bons nomes no meio. Nós fechamos nossa estada em Mumbai num jantar delicioso no moderninho The Bombay Canteen. O restaurante alia a força e tradição dos temperos e especiarias indianos à ousadia e modernidade de pratos contemporâneos, o resultado é uma experiência surpreendente. Chegamos sem reserva, mas cedo, minutos depois da sua abertura, então não tivemos problema para conseguir uma mesa. Nos deparamos com um ambiente muito agradável e uma decoração aconchegante, claramente inspirada no estilo Art Déco  que depois observamos ser um estilo adotado por vários prédios da cidadeOs garçons são muito atenciosos e simpáticos, explicam os pratos e sugerem os fortes da casa. Chegamos com a intenção de jantar, mas ao vermos o cardápio de opções de entradas/petiscos, resolvemos provar a maior quantidade de sabores possível. 

Sindhi Gheeyar, sobremesa gostosa no surpreendente Bombay Canteen
Mas antes, pedimos dois Incredible India, drink refrescante e muito gostoso que virou nossa companhia na noite. Pedimos o Kerala Fried Chicken, bolinhas de frango fritas acompanhadas de chutney de coco, molho característico da região sul da Índia. Outro petisco, cujo nome não me lembro, foi um prato de arroz com abóboras em 3 preparos diferentes. Ainda provamos tacos de grão de bico e, por fim, suculentos kebabs de cordeiro. Antes, porém, enquanto esperávamos a saída dos pratos, um garçom passou oferecendo uns belisquetes e nós escolhemos os pequenos camarões torrados e picantes. Que sabor! Para fechar, optamos por duas sobremesas tradicionais do restaurante, uma torta que lembra muito a tradicional torta de limão e a Sindhi Gheeyar – sorvete de amêndoas, numa cama crocante de caramelo, açafrão e laranja – deliciosa. Endereço imperdível em Mumbai, no Bombay Canteen cada mordida foi uma surpresa;

Preço: 2.000 rúpias por pessoa

9 – Passear por um mercado 

Ainda no âmbito das comidas e sabores, acrescento que uma viagem à Índia não é completa se você não passa por um mercado ou bazar. É ali onde você vai ver parte da essência do país, as cores e aromas dos temperos e especiarias, os insumos e ingredientes, além de toda sorte de objetos, roupas e acessórios. 

Visitar mercados e bazares é poder entrar em contato com a essência da cozinha indiana
Os mercados indianos vendem de um tudo e em Mumbai você encontrará muitos deles, como o Colaba Market– região mais procurada pelos turistas – e o Crawford Market, um dos mais antigos e mais movimentados mercados da cidade, recebendo milhares de visitantes diariamente, sobretudo por locais. 

10 – Visitar Elephanta Caves

Em 48 horas em Mumbai, você poderá esticar sua visita indo até a Ilha de Elefanta, mas de antemão eu aviso que esse passeio demanda, além de disposição, muita paciência. As Grutas de Elefanta, patrimônio mundial da UNESCO, são um complexo de cavernas repletas de esculturas talhadas em pedra que simbolizam o sincretismo entre as religiões hindu e budista. Ninguém sabe precisar com segurança a data da sua construção, mas especula-se que isso ocorreu entre os séculos 5 e 7. Seu nome, Elefanta, foi oriundo da colonização portuguesa da região, navegadores lusos, ao chegarem à ilha, se depararam com estátuas de elefantes, animal que representa Ganesha, deus hindu. 

As Grutas de Elefanta guardam histórias e lendas surpreendentes
Os barcos que fazem a ligação entre Mumbai e a ilha funcionam todos os dias, menos às segundas. Eles partem nas redondezas do Portal da Índia e o ingresso precisa ser comprado no guichê que fica antes dos detectores de metal. Na ida, os barcos saem a partir das 9h até às 14h, a cada 30 minutos – mas isso não é regra, a viagem dura cerca de 1h e custa 200 rúpias ida e volta. Resolvemos ir no domingo visitar a ilha e, aparentemente, toda Mumbai também resolveu. As filas eram gigantescas e incompreensíveis. Como falei, indiano e filas não são compatíveis. Dentro dos barcos eles vendem refrigerante, suco, água e salgadinhos. O barco atraca no píer da ilha e é tudo muito rústico. Há um trenzinho para aqueles que não querem andar os 500m do píer a pé, mas não tem jeito, após esses metros, virão outros tantos, além de uma escadaria, onde os turistas mais exóticos (ou menos conscientes) podem optar por ser vencida numa cadeira onde 4 pessoas o carregarão. Antes, porém, é preciso pagar uma pequena taxa (5 rúpias) para adentrar a área do mercado de rua, onde são vendidos todo tipo de souvenir e por onde, invariavelmente, você terá de passar. Vencidos o píer, as escadas, os vendedores e as vacas,  você chega no guichê para comprar as entradas do complexo (500 rúpias por pessoa – valor para estrangeiro). Vá precavido, eles só aceitam dinheiro vivo. Não há essa informação em lugar algum. Caso você tenha dado o mesmo vacilo que a gente, e não esteja com dinheiro suficiente, há a possibilidade de comprar algo numa banca de souvenir, pagar no cartão e levantar um dinheiro. 

Barcos que fazem o transfer entre Mumbai e a Ilha de Elefanta com o Portal da Índia ao fundo
Um vez que você consegue entrar no complexo de cavernas, o que você encontrará é surpreendente, as ruínas preservadas contam histórias e lendas. Dá para ficar por dentro de tudo adquirindo o livreto (150 rúpias) na entrada da ilha. A volta, como muitos barcos retornam a Mumbai ao mesmo tempo, pode ser um tanto quanto conturbada, mas você vai aprendendo que isso é a Índia, enquanto a gente sonha gostoso, alguém te acorda com um balde de água fria.  Esse passeio não chega a levar um dia inteiro, mas toma bastante tempo. Exercite sua paciência e  dê uma chance à ilha. 


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