ƒ Índia | O que fazer em Jaipur, Rajastão

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Índia | O que fazer em Jaipur, Rajastão

Deixamos a sagrada cidade de Varanasi com destino a outra metrópole muito visitada na Índia, dessa vez seguimos para o Rajastão, a fim de conhecer sua capital, Jaipur. Se em Varanasi estávamos nos acostumando com a simplicidade e, porque não, pobreza de tudo, Jaipur aparece para contrastar, para fazer uma mudança de 180 graus. Começamos a ver ouro e ostentação já dentro do aeroporto. E não é por acaso, pois Rajastão significa “Terra dos Reis”, portanto prepare-se para ver fortes, palácios, construções imponentes e muita, muita beleza. 




Do alto, lá no céu, já avistávamos o tom desértico e empoeirado que toma conta da região. Pousamos em Jaipur por volta das 11 da manhã, mas os termômetros já marcavam mais de 40 graus. Lembrete: Visitar a Índia no verão é para os fortes. Fizemos o mesmo procedimento que executamos em todos os outros aeroportos indianos que já havíamos visitado, retiramos a mala da esteira, nos dirigimos ao guichê dentro do terminal e solicitamos um táxi para o hotel. 

Dormindo uma noite em um Palácio em Jaipur

Aproveitamos o trecho ostentação da viagem para reservar uma hospedagem temática e pernoitamos no Umaid Mahal, hotel com uma arquitetura rica, instalado em um prédio que já foi um palácio. Nem preciso falar que foi uma sensível melhora nas nossas hospedagens, né? Dormimos como membros da realeza essa noite. 


Mas antes de dormir, Jaipur seguia a nossa espera. Então, o concierge do nosso hotel conseguiu arranjar para nós um motorista/guia que nos levou para conhecer os principais pontos turísticos de Jaipur numa tarde e numa manhã por um preço aceitável (2.500 rúpias, pagas em duas partes). Fazer tudo partido, usando táxi/tuk tuk aleatórios traria mais dor de cabeça do que economia, no final das contas. 


Conhecendo os pontos turísticos que ficam fora de Jaipur

Começamos nosso tour por Jaipur pelo ponto turístico mais distante, o Amber Fort (também conhecido como Amer Palace – A entrada custa 550 rúpias para o turista estrangeiro). Construído no século XVI, no alto de uma colina, esse forte é suntuoso. Ele, junto com outros 5 fortes de Jaipur foram declarados Patromônio Mundial da UNESCO. Dividido em 6 seções o Amber Fort, pede, pelo menos 2 horas para uma visitação superficial. Um dos seguranças do forte foi com a nossa cara e nos deu praticamente um tour privado, mostrando alguns segredos e curiosidades da construção. É impossível não ficar impactado pelo Sheesh Mahal, ou Palácio de Espelhos, prédio inteiramente coberto por pequenos espelhos, resultando numa primorosa obra de arte. Aliás, tudo em Jaipur é minucioso e abundante.





O motorista/guia aproveitou que estava na região para nos levar até o Panna Meena ka Kund, uma escadaria simétrica que, na época das monções, vira um reservatório de água. Não é preciso pagar entrada e o lugar rende excelentes fotos. No caminho de volta, entre o Amber Fort e Jaipur, paramos em outro cartão postal do Rajastão, o Jal Mahal, que pode ser traduzido como Palácio de Água. E ao avistá-lo é fácil entender o motivo do seu nome, é que esse palácio está construído no meio do lago Man Sagar. O prédio em si não é aberto para visitação então é possível somente admirar de longe toda a sua suntuosidade. 



Jantar típico com música e pôr do Sol em Jaipur

Com o calor escaldante fica difícil ter muita disposição para seguir explorando. Por isso, fizemos o tour de 4h nessa tarde e voltamos para o Umaid Mahal a fim de nos refrescar e curtir o jantar na cobertura do hotel que incluímos no momento da reserva. Vimos um belíssimo pôr do sol lá de cima e avistamos um pavão na vizinhança do hotel, animal que é símbolo de prosperidade para os hindus, coincidência avistá-lo em plena Jaipur? Acho que não. 



A temperatura já estava mais agradável no momento do jantar (37 graus), que foi servido completamente a céu aberto. Provei um Thali não vegetariano típico do Rajastão, com cordeiro, já o marido escolheu um Thali vegetariano. Para refrescar, uma Kingfisher gelada. Um dos poucos momentos em que consumimos álcool na viagem. Tudo isso coroado com muita música ao vivo e danças típicas. Parecia que estávamos dentro de um sonho curioso, mas muito bom. 

Conhecendo a Cidade Cor-de-Rosa

No dia seguinte acordamos cedo, tomamos o café da manhã do hotel, que em nada se parece com a ideia que temos de café da manhã no Brasil, mas que eu já estava me acostumando. Fizemos o check-out, colocamos as malas no carro do nosso motorista e seguimos para explorar mais da capital do Rajastão, dessa vez adentraríamos a Pink City, como é conhecida Jaipur. E por que Jaipur também é conhecida como cidade cor-de-rosa? Porque todos os prédios do centro histórico da cidade que estão dentro da muralha foram pintados dessa cor a mando de um Marajá para impressionar um Príncipe. Mal sabia ele que impressionaria multidões por muitos anos, já que essa é hoje, por lei, a cor oficial da cidade. 


A primeira parada do dia foi no cartão-postal de Jaipur, o Hawa Mahal, ou Palácio das Janelas. Construído em 1799, em forma de pirâmide, o palácio tem 15 metros de altura e está no coração da cidade. Sua arquitetura segue o estilo rico que vemos por toda Jaipur, erguido repleto de janelas de treliça fina (são 953), diz-se que o intuito dessas janelas era que as mulheres do harém do marajá pudessem olhar a movimentação da rua sem serem vistas por quem estava fora do palácio. A entrada do Hawa Mahal custa 50 rúpias e o melhor horário para sua visitação é nas primeiras horas manhã, quando os raios de sol atravessam as janelas e iluminam o interior do palácio. 




Seguimos com o tour pelo centro histórico de Jaipur, dessa vez parando numa joia da cidade, o City Palace. Complexo de prédios, jardins e pátios, que abrigou reis que governavam a região, cuja arquitetura é uma fusão de Indiana e Islâmica. A medida que vamos atravessando seus portões vamos sendo impactados pela grandiosidade de tudo ao nosso redor, pela riqueza de detalhes e pela imponência. O museu guarda alguns tesouros de épocas distantes e durante a sua visitação podemos adicionar mais realismo ao que vemos, parece que viajamos no tempo. Para visitar esse o City Palace em Jaipur o visitante estrangeiro paga 500 rúpias e, se quiser fotografar, paga mais 50 rúpias. 



Ao lado do City Palace está o Jantar Mantar (200 rúpias), um instrumento astronômico arquitetônico gigantesco que permite a observação de posições astronômicas a olho nu. A Índia tem 5 desses instrumentos e um deles está em Jaipur. A visita teria ficado mais rica com a presença de um guia com mais conhecimento sobre o tema, que pudesse nos explicar melhor tudo o que estávamos vendo, mas mesmo assim achamos tudo de uma magnitude impressionante. 

Pausa no passeio para um Lassi no Bazaar de Jaipur

Nesse momento do city tour, os termômetros já estavam novamente marcando os 47 graus, então uma pausa se fazia necessária para que pudéssemos nos refrescar, foi aí que perguntamos ao nosso motorista/guia por um bom lassi. Em poucos minutos estávamos estacionando o carro em frente a uma Lassi Walla, provando o iogurte batido geladinho e docinho. Aproveitamos que estávamos no meio das área de compras da cidade, conhecida como Bazaar, para dar uma caminhada a pé e ver o que os mercados de rua de Jaipur ofereciam. São tecidos, bijuterias, calçados, tapeçaria e mais uma infinidade de itens normalmente bem coloridos, característicos da região. O difícil é dominar a arte da negociação, mas se você é bom nisso, vai adorar fazer compras em Jaipur. 



O nosso passeio pela capital do Rajastão já se encaminhava para o fim, mas antes de seguirmos para o aeroporto tivemos mais uma parada: no Birla Mandir, templo hindu completamente feito em mármore. Eu disse que Jaipur é sinônimo de ostentação, não foi? Nem os templos escapam. Diferente de todos os outros que já havíamos avistado e visitado durante a nossa viagem, essa maravilha toda branca está incrustada em meio a um jardim verde que contrasta com tudo o que vimos na cidade, uma espécie de oásis de calmaria e silêncio. O Birla Mandir é considerado por muitos um dos melhores templos da Índia, dedicado a Lord Vishnu e à deusa Lakshmi. Diferente dos demais templos do país, esse acredita na igualdade das religiões e o seus três domos representam as três maiores religiões seguidas na Índia. 


Jaipur foi a primeira cidade que visitamos do circuito turístico chamado de Triângulo Dourado – que compreende também Delhi e Agra. Chama-se triângulo pela forma que conseguimos ao ligar as cidades no mapa, mas, após o nosso passeio, ficou claro que o dourado reluz mais forte pela beleza de Jaipur e do Rajastão.



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Rapha Aretakis

Viajante e sonhadora em tempo integral. Edito, escrevo e fotografo para o Raphanomundo desde 2010. Nascida no Recife, criada para o mundo, vivendo na Alemanha.

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