Quando marcamos a nossa viagem para Marrakech eu tinha apenas uma certeza com relação a hospedagem: eu queria dormir em um Riad. Desde a primeira vez que vi esse estilo de hospedagem que sonhei em conhecer um de perto. Para quem não sabe do que estou falando, explico. Riad é uma construção tipicamente marroquina, com dois ou mais andares, um tipo de palacete, com seu interior aberto, uma espécie de pátio com muitas plantas, que necessariamente tem uma fonte no seu centro. E como as construções em Marrakech eram quase todas basicamente nesse estilo, as casas que antes pertenciam a mercadores endinheirados, foram sendo convertidas em hospedagem, hotéis e hoje são a mais icônica forma de hospedagem do Marrocos.


Escolher um Riad em Marrakech não é tarefa difícil já que a cidade conta com mais de 1.000. Portanto, certamente você encontrará o Riad dos seus sonhos, que tem tudo o que você precisa e com o valor da diária que cabe no seu bolso. Saiba, no entanto, que assim como em outros lugares do mundo, você recebe pelo quanto paga. Ou seja, não espere luxo e suntuosidade pagando uma pechincha. Nas três noites que passamos em Marrakech eu conheci dois Riads, para assim ajudar vocês a escolherem o melhor para a viagem de vocês. Em breve publicarei uma lista com os melhores Riads de Marrakech segundo a minha humilde opinião.






Localização e transfer 

Nossa primeira hospedagem em Marrakech foi no Riad Dar Ourika, que está muito bem localizado, no coração da Medina – centro da cidade –, no comecinho de um Souk. Foi preciso reservar o transfer (15 euros para até 6 pessoas) a partir do aeroporto oferecido pelo hotel, do contrário, muito provavelmente não encontraríamos o Riad por conta própria. O motorista nos pega na porta do aeroporto de Marrakech, dirige por uns 15 minutos até onde pode ir o carro na Medina, entra em contato com um carregador de malas, que por sua vez nos deixa na porta do Riad. Se um carro chega na porta da sua hospedagem, talvez sua experiência seja um pouco menos autêntica. Todo esse trâmite faz parte da magia de se hospedar na Medina no Marrocos.






Check-in e Chá de Menta 

Fomos recebidos por um simpático funcionário, que ao confirmar nossos nomes nos encaminhou para o centro do prédio, onde de cara sentimos a diferença na temperatura e respiramos melhor. O ar seco das ruas deu lugar ao ar fresco e ao canto dos passarinhos. Nem parecia que estávamos a poucos passos de um caldeirão em ebulição. A fim de nos dar as boas-vindas, antes mesmo de qualquer coisa, chega à mesa um chá de menta e biscoitos. Essa é a recepção padrão no Marrocos. O chá equilibra a temperatura do corpo, permitindo que a gente desacelere e comece a se integrar com o ambiente. Preenchemos uma ficha de entrada, onde temos que apontar o número que o agente da imigração anotou junto ao carimbo no nosso passaporte. Tudo feito de forma tranquila, sem nenhuma afobação. Depois de degustado o chá e fichas preenchidas, somos apresentados às dependências do Riad. Vimos a piscina, que fica em um dos cantos aconchegantes do Riad Dar Ourika e outras salas que compõem as áreas comuns da hospedagem. Na sequência, somos encaminhados para o nosso quarto, um pequeno palacete. Normalmente os Riads do Marrocos não têm muitos quartos, esse por exemplo, tinha 12, que recebem os nomes das cidades do país. O nosso quarto era o Rabat, a capital do Marrocos.




Quarto e banheiro 

Nosso quarto era amplo e ficava no segundo andar do Riad – acima da gente somente o terraço de onde avistamos os telhados e os minaretes de Marrakech e de onde vimos um belo pôr do sol. A cama, de casal, tinha um colchão confortável e boas roupas de cama, além de 4 travesseiros. O quarto ainda tinha ar condicionado e também uma lareira, que deve deixar tudo muito aconchegante nos dias frios, televisão (desnecessária, na minha opinião), uma salinha com sofá e um guarda-roupa, onde uma das portas dava entrada para o banheiro. O cômodo, super amplo, tinha uma decoração bem característica, com ladrilhos e móveis típicos da região. O chuveiro ficava dentro de uma espécie de cápsula sem cortina, o que dá ao banheiro uma pinta de spa, convidando você a passar mais tempo nesse ritual de cuidado pessoal. Pelo valor que pagamos na diária, 70 euros o casal (+ 2,50 euros de taxa turística, por dia, por pessoa), eu esperei mais das amenities e mais cuidado aos detalhes do quarto. De toda forma, foram duas noites bem dormidas.














Café da manhã marroquino e Jantar do Riad 

Pela manhã, o desjejum, que estava incluso na nossa diária, é servido em alguns ambientes do Riad, inclusive no terraço, mas essa opção não nos foi apresentada. Um dia comemos na sala que fica em frente à piscina e no segundo, no paço junto à fonte do Riad, ao ar livre. Uma delícia, devo confessar. No cardápio a simplicidade do café da manhã tipicamente marroquino: Suco de laranja fresco, salada de frutas, mel, geleias e manteiga, pães típicos, Msemmes, uma espécie de crepe marroquino, e Beghrir, a famosa panqueca cheia de furinho do Marrocos, por fim, café ou chá para acompanhar. Não sei se há uma diferenciação no cardápio de acordo com as categorias dos quartos, conforme for aumentando, mais itens compõem a refeição. Mas achamos tudo satisfatório, uma vez que vários itens eram típicos e locais. 



Quando descobrimos que visitaríamos Marrakech durante o Ramadan – mês sagrado para os muçulmanos, que jejuam entre o nascer e o pôr do sol – tivemos receio que o período trouxesse algumas alterações no funcionamento dos restaurantes do país (e de fato trazem), então resolvemos reservar o jantar na nossa primeira noite no Riad, em pleno domingo. O cardápio nos foi apresentado via e-mail com antecedência, onde pudemos escolher entrada, prato principal e sobremesa, a 15 euros por pessoa. Menu escolhido, quando estávamos no Riad ajustamos apenas o horário em que a refeição seria servida. Durante o Ramadan, após o pôr do sol, os muçulmanos praticantes quebram o jejum com o Iftar e a refeição deles ocorre entre as 19 e 20 horas, portanto marcamos o nosso jantar para às 21 horas. Servido pontualmente numa mesa bem posta à beira da piscina, comemos um verdadeiro banquete de delícias marroquinas e ficamos super satisfeitos com os sabores que provamos no Riad Dar Ourika, destaque para a Harira, sopa que tomei na entrada, para o Tajine de carne e a sobremesa super simples de laranjas cortadas em rodelas servidas com calda de chocolate com canela. 



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No geral, deixamos o Dar Ourika satisfeitos, tanto com a localização do Riad, quanto com a simpatia do pessoal, que quando soube que iríamos para outro Riad, fez questão de deixar as portas abertas para que sempre que quiséssemos, passássemos por lá para um café ou um chá de menta. Ah, a hospitalidade marroquina... É bem verdade que alguns pontos podem ser melhorados, mas no geral esse é um bom Riad no centro de Marrakech.

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