Maskpackers - Turismo na Pandemia | Playa del Carmen e Tulum (México)

Enquanto uma vacina não é desenvolvida tentamos viver uma vida alternando entre o medo de se contaminar com o coronavírus e a dificuldade de se isolar. Nesse meio tempo tenho observando colegas que moram no Brasil e no mundo fazendo rápidas viagens, turistando em suas próprias cidades, aproveitando rápidas férias ou feriados para recarregarem as baterias a fim de aplacar os efeitos negativos do isolamento causado pelo surto da Covid-19. 

Por isso, resolvi criar uma série de entrevistas com viajantes e chamá-los de maskpackers – uma brincadeira em inglês com as palavras mask e backpackers, “mochileiros de máscara”. Já que a máscara hoje se tornou um símbolo de quem adere às medidas de segurança, algumas pessoas estão viajando de um novo jeito e compartilham aqui com vocês quais são as impressões, cuidados e recomendações de quem viaja durante a pandemia.

Com a chegada do outono no hemisfério norte e o aumento dos casos aqui na Europa, o ar de preocupação com a segunda onda da Covid-19 volta a pairar sobre nossas cabeças. Portugal declarou estado de calamidade, a França impôs um toque de recolher de 4 semanas de duração em oito cidades, incluindo Paris, a Alemanha restringe ainda mais aglomerações e vemos países como Itália e Espanha voltarem a ser atingidos duramente pela doença. O que nos levar a crer que para novo confinamento ser estipulado é uma questão de tempo. 

Assim como no Brasil, os Estados Unidos parecem enfrentar ainda a primeira onda da doença, mas algumas regiões do país, que instituiram o lockdown e o uso de máscara, conseguiram achatar a curva, como é o caso de Nova York. A cidade, no pico do surto de Covid-19 chegou a mais de 10.000 casos diários, hoje contabiliza pouco mais de mil. 

Rebeca Barreto (36), nossa entrevistada da coluna de hoje mora em Nova York e conta pra gente como foi viajar até o México durante a pandemia (entre 30 de setembro e 08 de outubro). Pernambucana que vive nos Estados Unidos há mais de uma década, Rebeca viajou até o país vizinho junto com o marido, depois de um longo período de isolamento, para comemorar 10 anos de casados. Mal sabiam eles que, além de terem que lidar com todas as medidas de segurança por causa do coronavírus, ainda enfrentariam um furacão no caminho, que passou justamente pelas duas praias que eles visitaram. Na última, Tulum, eles tiveram que ser evacuados e a viagem foi abreviada.  De volta à Big Apple em segurança, Rebeca conta pra gente as suas impressões desse novo normal.


Pra onde foi e duração da viagem? 
México (Playa del Carmen e Tulum). Oito dias. 

Tecnicamente, há uma proibição de viagens não essenciais para o México; porém, nenhum documento foi solicitado para comprovar o motivo da nossa visita. Vale lembrar que os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) emitiram um Aviso de Saúde em Viagem de Nível 3 para o país devido ao COVID-19 e já são pelo menos 817.500 casos* registrados do coronavírus por lá. Então, siga as precauções de segurança locais. 

No avião, recebemos um documento de entrada e um "Cuestionario de identificación de fatores de riesgo en viajeros" que devem ser preenchidos e apresentados à imigração na chegada. Nenhum teste COVID-19 negativo (PCR ou sorologia) é necessário. Após desembarque em Cancún, temos a nossa temperatura verificada e bienvenidos!

Como viajou? 
Avião (United Airlines) Newark - Cancún 

Quais medidas você observou que foram tomadas durante o deslocamento? 
O nosso voo estava mais cheio do que eu esperava, praticamente todos os assentos ocupados e não houve muito respeito ou ordem na hora de manter a distância. Todos os passageiros e tripulação são obrigados a usar máscara durante todo o voo apenas sendo possível retirar a máscara para comer ou beber. Na entrada, a tripulação nos dá um saquinho com água, lanche e lenços umedecidos para desinfetar nossos assentos. Eu optei por não levantar nem pra ir ao banheiro, mantive a mascara no rosto o tempo todo e usei meu álcool gel periodicamente. 


Rebeca viajou dos Estados Unidos para o México
Foto: Rebeca Barreto/Arquivo pessoal
Onde se hospedou? 
Em Playa del Carmen, ficamos na Playa Palms Beach Hotel. Localizado bem na praia e no pé da Quinta Avenida. Perto de tudo. Muito aconchegante com serviço de café da manhã, piscina, free wi-fi e super tranquilo. Em Tulum, ficamos na Villa Pescadores, em uma das cabanas privadas literalmente na areia, à beira mar. O hotel é bem rústico e também Eco-Friendly. Com restaurante, bar na praia, free wi-fi, acesso privado à praia e outras cositas más. Uma delícia!

O que te levou a escolher esse tipo de hospedagem? 
Não queríamos ficar em resort, então escolhemos o hotel mais pelo visual, localidade, preço e segurança.

A pandemia pesou na sua escolha? 
Sim. Eu priorizei os hotéis menores, com poucos leitos/acomodações e com capacidade reduzida de hóspedes. Com áreas comuns mais abertas/ventiladas e que tivessem medidas de segurança sanitária.

Rebeca e o marido comemoram 10 anos de casados no México depois do isolamento 
Foto: Rebeca Barreto/Arquivo pessoal


Você observou cuidados especiais por causa da pandemia durante sua hospedagem? 
Sim. Máscaras são obrigatórias nas áreas comuns para hóspedes e funcionários (apesar de alguns hóspedes darem um jeitinho de não usar). Placas e avisos na entrada/lobby lembrando sobre manter a distância social e higiene pessoal. 


Contratou tours, passeios ou explorou o destino por conta própria? 
A gente fez tudo por conta própria. Alugamos um carro em Cancún e dirigimos para Playa del Carmen e, em seguida, para Tulum. Também fomos de carro para todos os passeios que fizemos. 


Visitou atrações fechadas ou deu preferência aos pontos turísticos ao ar livre? 
Esta parte do México é conhecida pelas praias, cenotes, cavernas e ruínas maias. Então, a gente focou neles e ficamos ao ar livre mesmo! :)

Distanciamento social nos cenotes mexicanos - Foto: Rebeca Barreto/Arquivo pessoal


Frequentou restaurantes? Observou mudanças por causa da quarentena? 
Sim. Verificações de temperatura e desinfetante para as mãos na entrada, garçons com máscaras (porém, nem sempre usando-as corretamente), Touch Free Menus e mesas mais afastadas (esta regra não era aplicada em todos os lugares). Alguns restaurantes seguiam medidas de segurança mais rígidas que outros. 

Precisou contratar um seguro viagem para a ocasião? 
Não foi preciso. O seguro de viagem é opcional.

Se sentiu seguro durante toda a viagem? 
Tirando os dois Hurricanes que pegamos por lá, foi tudo muito tranquilo. Esta área do México é muito segura para visitar e, em relação ao Covid, observei cuidados e medidas de higienização na maioria dos estabelecimentos que fui. Porém, é preciso ficar mais atento às regras de distanciamento social. Nem sempre o número de pessoas vai estar reduzido nos bares, restaurantes e beach clubs.

Com base na sua experiência, qual dica você dá para quem está pensando em viajar durante a pandemia? 
Eu recomendo que, além de seguir as regras de prevenção vigentes do país, tome também as suas próprias medidas de segurança e se proteja. No México, muitos turistas, e até funcionários, pareciam não se importar muito em se proteger ou proteger o outro. Fique atento e evite se expor. Mantenha uma distância segura do outro e use de bom senso. 


Adendo: Aproveito para deixar claro que esse projeto não é um incentivo às viagens. A pandemia não acabou. Esse trabalho tem um cunho jornalístico com o intuito de relatar experiências de pessoas que ao mesmo tempo em que estão tentando se adaptar à nova realidade, acreditam na seriedade do assunto. 


*Número de casos contabilizados na ocasião da entrevista, no início de outubro de 2020.


Para notícias oficiais sobre a Covid-19 no México: https://coronavirus.gob.mx 
Para notícias oficiais sobre o turismo no México: https://www.visitmexico.com

Rapha Aretakis

Viajante e sonhadora em tempo integral. Edito, escrevo e fotografo para o Raphanomundo desde 2010. Nascida no Recife, criada para o mundo, vivendo em Stuttgart, Alemanha.

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