Maskpackers - Turismo na pandemia | Porto (Portugal)

Nos últimos dias venho observando colegas que moram no Brasil e no mundo fazendo rápidas viagens, turistando em suas próprias cidades, aproveitando férias ou feriados para recarregarem as baterias a fim de aplacar os efeitos negativos do isolamento causado pelo surto da Covid-19. 

Sabemos que a pandemia de coronavírus segue em curso pelo mundo há quase 10 meses e nesse tempo ela transformou o hábito de viajar em um verdadeiro desafio. Enquanto países como o Brasil e Estados Unidos não saíram da primeira onda da Covid-19, a Europa tenta tomar fôlego para atravessar a segunda leva da doença que parece vir mais forte do que a onda inicial com a chegada dos meses mais frios. 

Enquanto uma vacina não é desenvolvida, tentamos viver uma vida alternando entre o medo de se contaminar e a dificuldade de se isolar. Por isso, resolvi criar uma série de entrevistas com viajantes e chamá-los de maskpackers – uma brincadeira em inglês com as palavras mask e backpackers, “mochileiros de máscara”. Já que a máscara hoje se tornou um símbolo de quem adere às medidas de segurança, algumas pessoas estão viajando de um novo jeito e compartilham aqui com vocês quais são as impressões, cuidados e recomendações de quem viaja durante a pandemia.

A segunda entrevistada da coluna maskpackers foi Larissa D’Almeida (37), nascida no Rio de Janeiro, moradora do Porto, no norte de Portugal, há um ano. Jornalista por formação, Larissa trabalha como atendente de gelateria numa área turística da cidade e nas horas vagas nos leva para passar pelo Porto através do seu instagram, o Rota Portuguesa. Hoje ela conta para o Raphanomundo como está a vida durante a pandemia de coronavírus na segunda maior cidade de Portugal. 

Quais as principais restrições estão vigentes na cidade do Porto? 

No momento, estamos em situação de Contingência, com umas regrinhas mais estritas para mitigar o contágio nos meses mais frios de outono e inverno. O estado de Contingência começou dia 15 de setembro e foi prorrogada até 14 de outubro, por conta do grande aumento do número de casos nos últimos dias. Nas medidas atuais, um número máximo de 10 pessoas podem se ajuntar nas ruas, a preferência é pelo teletrabalho, o horário de funcionamento de estabelecimentos comerciais está reduzido e também foi proibido o consumo de álcool nas ruas. 

Larissa moradora da cidade do Porto, no norte de Portugal, há um ano - Foto: Larissa D'Almeida/Arquivo pessoal
Você enxerga alguma retomada no turismo? 

Já temos turistas por aqui, e diria que todos da Europa, pelo que tenho visto. Grande parte são espanhóis, pela proximidade da fronteira, mas também há de outros países da Europa. No verão houve um movimento bem interessante de turismo, mas já baixou por conta da chegada do frio. Embora, ano passado, as ruas estavam lotadas mesmo no outono-inverno. Acredito que as pessoas estejam se adaptando ao uso das máscaras e às novas regras de convívio, e que há um grande ímpeto turístico represado pela pandemia, que deve desaguar fortemente com a chegada da vacina. 




Quais pontos turísticos encontram-se abertos? Você sabe quais são as condições de visitação desses pontos durante a pandemia do coronavírus? 

Todos os locais que tenho visto estão abertos, com excessão de baladas. As regras para visitação são as já conhecidas: uso de máscaras, número reduzido de visitantes, distanciamento e uso de álcool. 

Rio Douro visto de cima - Foto: Larissa D'Almeida/Arquivo pessoal

Os restaurantes estão funcionando? Você tem frequentado algum? Qual/quais você indicaria para quem pensa em visitar a cidade do Porto? 

Os restaurantes estão a funcionar, também sob as novas regras, e muitos fecham por volta de meia noite. Já estive em uns que fecham à 01h da manhã, mas não vejo passar muito disso. Uma experiência recente (sábado agora rs) foi a Cervejaria Brasão. Ambiente acolhedor, embora o espaço seja imenso, cerveja artesanal e uma das, senão a melhor francesinha da cidade. A francesinha é um prato típico daqui e a Brasão faz uma de comer rezando rs E olha que já comi algumas rs O atendimento também é muito bacana. Para comer um bolinho de bacalheu bem "tuga", indico um lugar chamado Escondidinho do Barredo, ali na Ribeira. O lugar é escondido mesmo, mas quem achar vai curtir um bom bolinho de bacalhau quentinho e crocante, além de outros salgados saborosos por uma média de 1,30 euros. Mas tem que ser sem frescura, porque a casa é simples. 




Você já consegue notar que o comércio turístico (por exemplo, lojas de souvenir) ainda persiste ou já começou a sofrer com o impacto da pandemia? 

Vejo muitas dessas lojas resistindo, sabe? Embora quase sempre sem movimento. Não sei até quando vão aguentar, mas todas as que passo diariamente na minha rotina de trabalho estão abertas. E eu trabalho numa área bem turística. Muitas barracas com produtos locais também seguem abrindo, mas não sei dizer como estão as vendas… 

Qual seu lugar ao ar livre preferido na cidade do Porto? 

Olha, essa é difícil rs Eu nasci em uma cidade grande e me apaixonei pelo Porto, que pra mim é uma cidade pequena rs Há aqui muitos lugares abertos, com grama verde e, em estações certas, flores coloridas que rendem lindas fotos. Eu tenho uma relação de amor com o Jardim do Morro, em Gaia, porque foi o primeiro lugar que visitei assim que cheguei na cidade. Vila Nova de Gaia fica no distrito do Porto, mas é uma outra cidade, que aqui eles chamam de concelho. Seria como Niterói, para dar uma referência para quem conhece o Rio de Janeiro rs No Porto mesmo eu já estiquei as pernas algumas vezes a beira do Douro ouvido os músicos locais, tomando uma cerveja de maçã e curtindo o rio passar. Outro lugar gostoso para tomar um sol é o Jardim das Virtudes. 



Casario do Porto, Portugal - Foto: Larissa D'Almeida/Arquivo pessoal

Com base na sua experiência, qual dica você dá para quem está pensando em viajar para o Porto durante a pandemia? 

Olha, a dica seria se proteger bem, de verdade, respeitar as regras da cidade, lembrar da higiene e não aglomerar. Os números de casos estão subindo rapidamente nos últimos dias, e a sensação que tenho é que todos estamos meio anestesiados, sabe? Como se tudo já tivesse passado, as coisas estivessem bem e tranquilas e agora a vontade é de relaxar. Mas, infelizmente ainda não é o momento. Então, venha, mas com o carinho de respeitar as regras, usar a máscara nos locais fechados, transportes, etc... respeitar os horários de funcionamento e não dar bobeira. Aqui sua estadia será incrível, tenho certeza, porque essa cidade de telhados vermelhos apaixona muita gente, mas lembre-se de manter a lucidez para cuidar de si, de sua família, e também de todos os outros. 

Adendo: Aproveito para deixar claro que esse projeto não é um incentivo às viagens. A pandemia não acabou. Esse trabalho tem um cunho jornalístico com o intuito de relatar experiências de pessoas que ao mesmo tempo em que estão tentando se adaptar à nova realidade, acreditam na seriedade do assunto. 

Para notícias oficiais sobre a Covid-19 em Portugal: https://covid19.min-saude.pt 
Para notícias oficiais sobre o turismo na cidade d’O Porto: https://visitporto.travel/

Rapha Aretakis

Viajante e sonhadora em tempo integral. Edito, escrevo e fotografo para o Raphanomundo desde 2010. Nascida no Recife, criada para o mundo, vivendo em Stuttgart, Alemanha.

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