ƒ Descobrindo Aveiro em 36 horas com canais, gastronomia e Costa Nova

Trending

Descobrindo Aveiro em 36 horas com canais, gastronomia e Costa Nova


Aveiro, em Portugal, é um daqueles destinos que conquistam logo nos primeiros minutos. Conhecida como a “Veneza portuguesa”, a cidade encanta com seus canais, pontes decoradas e os tradicionais barcos moliceiros que cruzam a água com calma. Mas Aveiro vai muito além da comparação óbvia. Em um roteiro de 36 horas, é possível explorar sua arquitetura Art Nouveau, provar doces típicos irresistíveis e ainda esticar até a charmosa Costa Nova. Se você está planejando o que fazer em Aveiro em quase 2 dias, este guia reúne exatamente as experiências que fazem a cidade ser tão especial, da gastronomia aos passeios pelos canais.

+
Bonita e iluminada: não deixe de caminhar por Aveiro à noite

Cada Moliceiro carrega uma arte única

As cores de Aveiro são inconfundíveis


Onde comer em Aveiro


Minha passagem por Aveiro começou no Hotel do Mercado, charmoso, confortável e bem localizado, excelente ponto de partida para quem vai explorar Aveiro a pé. Logo pela manhã, pela proximidade com o local, não deu pra não passar no Mercado Manuel Firmino, um mercado pequeno, tradicional, onde a vida cotidiana se encontra com a impermanência do turista. A visita foi rápida e, com o apetite devidamente aberto pelo passeio no mercado, só nos restou dar um pulinho na Tasca do Amarelinho. Com um cardápio promissor escrito na parede e o ambiente tomado por antiguidades, o jeito foi provar um pouco de cada coisa: caldo verde, bolinho de bacalhau, moelas, sandes de pernil com queijo da serra e a feijoada de leitão. Eu disse que a gente estava com fome, né? 

Pequeno, mas charmoso, o Mercado Manuel Firmino vale uma passadinha

Feijoada de leitão da Tasca do Amarelinho, o que não tem de fotogênica tem de gostosa

Prove o sanduíche de pernil com queijo e um chopp gelado

De nome curioso, não pude deixar de provar (e aprovar) a famosa Tripa de Aveiro

A comida portuguesa é o que me faz querer voltar sempre pra lá, principalmente quando estamos há muito tempo na Alemanha. De buchinho cheio, seguimos para provar uma sobremesa de nome intrigante, a Tripa de Aveiro, um doce típico da cidade feito de creme de açúcar e ovos, criado na tradição da doçaria conventual. Eu fiz questão de não procurar previamente em lugar nenhum para saber do que se tratava, fui com mil pensamentos e me surpreendi, é uma delícia e nada estranho.

Arquitetura Art Nouveau em Aveiro

Não dá para explorar Aveiro sem mergulhar na sua história arquitetônica. O centro histórico da cidade está polvilhado por fachadas em estilo Art Nouveau, uma coleção de cerca de 28 edifícios que surgiram entre 1904 e 1920, muitos com azulejos florais e detalhes em ferro que misturam modernidade com tradição portuguesa, deixando o estilo único. O Museu Arte Nova, na Casa Major Pessoa, é um ótimo ponto para começar essa empreitada pela arquitetura aveirense, ou se aprofundar no tema. Caminhar atento entre as ruas é descobrir, a cada esquina, uma nova característica da Arte Nova que chama a atenção. Por isso, olho aberto!

Fachada em Art Nouveau da Antiga Casa Major Pessoa 

Edifício em estilo Art Nouveau de Aveiro

Passeio de moliceiro pelos canais

Mas um dos momentos altos desses dois dias em Aveiro foi o passeio de barco típico pelos canais, onde vi a cidade de um ângulo único e aprendi sobre sua relação com a água. O moliceiro, como é conhecida a famosa embarcação, é um barco estreito e comprido, tradicionalmente usado para a colheita do moliço, uma espécie de alga que era coletada para fertilizar os campos da região. Suas cores vibrantes e as pinturas decorativas na proa e popa tornam cada barco uma obra de arte flutuante e única, muitas vezes com frases engraçadas ou sátiras políticas.

Não deixe de percorrer os canais de Aveiro a bordo de um barco tradicional da cidade

Todo mundo fica encantado com o vai-e-vem dos Moliceiros de Aveiro

Anita Tubarão dos Oceanos, mural de street art em Aveiro


A cidade de Aveiro nasceu e se desenvolveu em torno da Ria de Aveiro, um sistema de canais e lagunas ligado ao oceano Atlântico. A presença constante da água moldou tanto a economia quanto a cultura local, da pesca e da navegação à produção de sal e ao transporte de mercadorias. Os canais permitem que os moliceiros naveguem mesmo em marés baixas, graças à engenhosidade local, foi criado um sistema de portos e comportas para controlar o nível da água, garantindo que a cidade permanecesse ligada ao mar sem ser inundada.

A Salineira, Aveiro


Escultura Ovos Moles de Aveiro vista a bordo de um Moliceiro


Depois do passeio pelos canais, a caminhada seguiu pelas ruas do centro histórico e foi lá que encontrei A Casa da Rosa, uma lojinha que faz qualquer amante do design e da decoração pirar. Queria trazer tudo pra casa, mas me contentei com um azulejinho mal criado. A seleção de souvenirs mais moderninhos é maravilhosa, desde leques até bijuterias, as opções são ótimas para encher a mala. 


A Casa da Rosa, no centro histórico de Aveiro

O delicioso Polvo à Lagareiro do Restaurante O Barril, em Aveiro


A hora do almoço foi chegando e, em Portugal, todo lugar parece apetitoso, é preciso ter cuidado para não cair em furada. Nos afastamos um pouquinho do burburinho da área turística até que chegamos ao restaurante O Barril. Fomos atendidos por um simpático casal, ela ficava a cargo de atender as mesas e ele comandava o fogão. De entrada tomamos um caldo de legumes e, como prato principal, um dos melhores polvos que já comemos. Meia dose de Polvo à Lagareiro, fresquíssimo, bem feito. Tudo isso regado a vinho verde porque aparentemente é impossível fazer uma refeição sem vinho em Portugal. Isso, definitivamente, não é uma reclamação.

Bate-volta em Costa Nova

Para fechar essa introdução a Aveiro, esticamos Uber até Costa Nova do Prado, famosa pelas casas coloridas, chamadas palheiros, e pela Praia da Costa Nova. Essas casas listradas, originalmente construídas pelos pescadores, são hoje ícones fotogênicos da região e um dos cartões-postais mais charmosos de Portugal. Caminhar por ali, sentir a brisa do Oceano Atlântico e observar o contraste entre a Ria e o mar é muito agradável. Para completar a experiência, escolha uma das barraquinhas do calçadão e prove uma fartura. Vai por mim, o nome já é maravilhoso, e a fartura é comida de rua da mais simples, essa massinha frita envolvida em açúcar e canela deixa qualquer pausa no passeio deliciosa.

As famosas casas listradas de Costa Nova, cartão postal da região de Aveiro

c
Fartura à beira-mar em Costa Nova


De volta à Aveiro, finalmente provei os famosos ovos moles, o doce mais icônico da cidade, e entendi por que ele é levado tão a sério por ali. Compramos uma caixinha na famosa Confeitaria Peixinho e fomos degustar no terraço do Fórum Aveiro, de onde temos uma vista privilegiada da região, dos canais, da colorida Ponte dos Laços de Amizade, do vai-e-vem dos moliceiros...  

Aveiro é daquelas cidades que não precisam de muito esforço para conquistar, basta caminhar, observar e provar. Foram apenas 36 horas, tenho a sensação de que o essencial foi vivido, mas também tenho a certeza de que sempre terei um motivo para voltar.

Rapha Aretakis

Viajante e sonhadora em tempo integral. Edito, escrevo e fotografo para o Raphanomundo desde 2010. Nascida no Recife, criada para o mundo, vivendo na Alemanha.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem