Maskpackers - Turismo na Pandemia | Paris (França)

Nos últimos dias venho observando colegas que moram no Brasil e no mundo fazendo rápidas viagens, turistando em suas próprias cidades, aproveitando férias ou feriados para recarregarem as baterias a fim de aplacar os efeitos negativos do isolamento causado pelo surto da Covid-19. 

Sabemos que a pandemia de coronavírus segue em curso pelo mundo há quase 10 meses e nesse tempo ela transformou o hábito de viajar em um verdadeiro desafio. Enquanto países como o Brasil e Estados Unidos não saíram da primeira onda da Covid-19, a Europa tenta tomar fôlego para atravessar a segunda leva da doença que parece vir mais forte do que a onda inicial com a chegada dos meses mais frios. 

Enquanto uma vacina não é desenvolvida, tentamos viver uma vida alternando entre o medo de se contaminar e a dificuldade de se isolar. Por isso, resolvi criar uma série de entrevistas com viajantes e chamá-los de maskpackers – uma brincadeira em inglês com as palavras mask e backpackers, “mochileiros de máscara”. Já que a máscara hoje se tornou um símbolo de quem adere às medidas de segurança, algumas pessoas estão viajando de um novo jeito e compartilham aqui com vocês quais são as impressões, cuidados e recomendações de quem viaja durante a pandemia.

A primeira entrevista dessa leva eu fiz com a jornalista e professora de inglês Janaína Rubim (43). Gaúcha que mora em Barcelona há alguns anos, Janaína foi a Paris no começo de outubro visitar uma grande amiga por quatro dias. De volta à sua casa na capital catalã, ela conta para o Raphanomundo como foi sua primeira viagem nesse “novo normal”. 

Janaína Rubim, brasileira que vive em Barcelona viajou a Paris em outubro de 2020 - Foto: Arquivo pessoal
Como viajou (avião, carro, ônibus, trem)? Quais medidas você observou que foram tomadas durante o deslocamento?

Avião. Uso de máscaras e de álcool gel constantemente por parte da tripulação e dos passageiros, distanciamento na fila para o embarque e o cuidado para não tocar superfícies desnecessariamente 

Onde se hospedou (hotel, hostel, pousada, airbnb)? O que te levou a escolher esse tipo de hospedagem? A pandemia pesou na sua escolha?

Na casa da minha amiga.


Você observou cuidados especiais por causa da pandemia durante sua hospedagem? Quais?

Lavávamos as mãos sempre quando chegávamos na casa dela e tirávamos os sapatos logo na entrada.

Contratou tours, passeios ou explorou o destino por conta própria? 

Fizemos a nossa própria programação. Como foi a terceira vez que fui a Paris (na primeira, fiquei um mês estudando francês), já conheço as principais atrações. Então, buscamos coisas diferentes para ver e fazer. Paris, diferente de outras cidades importantes na Europa, nunca decepciona, pois sempre oferece novidades interessantes e culturais.

Visitou atrações fechadas ou deu preferência aos pontos turísticos ao ar livre?

Quase todas fechadas (devido à chuva e ao frio). Nos certificamos previamente que os lugares escolhidos seguiam as medidas de segurança recomendadas. A única atração ao ar livre foi um passeio de barco pelo rio Sena. Apesar do mau tempo e para tirar fotos mais bacanas, optamos por ficar no deck aberto. No total, éramos 10 pessoas no barco (um retrato claro da pandemia). 

Torre Eiffel cartão postal parisiense - Foto: Janaína Rubim/Arquivo pessoal 

Frequentou restaurantes? Observou mudanças por causa da quarentena? Quais?

Sim, no almoço e na janta e também um café. Notei que todos usavam máscaras, as mesas tinham uma certa distância entre elas (não os dois metros recomendados, mas já era algo) e os garçons não se aproximavam muito dos clientes e conversavam apenas o necessário. Curioso é que todos os lugares que fomos nos ofereceram o cardápio em papel - um ponto negativo devido à pandemia.


Precisou contratar um seguro viagem para a ocasião? 

Não, pois era uma viagem curta e eu estive em contato com a minha amiga e a sua família (marido e bebê), que sei que se tomam os devidos cuidados como eu, em Barcelona. 

Se sentiu segura durante toda a viagem?

Para ser sincera, no avião, tanto na ida quanto na volta, não me senti totalmente segura, pois não houve a preocupação da companhia aérea (Vueling) em deixar um assento livre entre os passageiros (por razões econômicas). Porém, assim que o embarque foi encerrado, eu e outros muitos passageiros, por conta própria, trocamos de lugar. Consegui deixar um assento vazio entre eu e outra pessoa nos dois trechos. No restante da viagem, me senti muito tranquila, pois estava com pessoas que também se cuidam e têm bom senso e durante os passeios, seguíamos as recomendações básicas. 



Com base na sua experiência, qual dica você dá para quem está pensando em viajar durante a pandemia? 

Eu diria para se informar muito bem antes de comprar a passagem para estar ciente das restrições e exigências aplicadas aos turistas por cada país. Varia muito, dependendo da origem e do destino. Em relação à acomodação e aos pontos turísticos, sugiro verificar se o lugar realmente segue as medidas de prevenção (muitos divulgam que sim, mas de fato não o fazem). No mais, é relaxar e curtir a viagem. Essa experiências renovam as nossas energias e nos dão novos ânimos para o momento delicado que estamos vivendo. Se todos se conscientizarem e seguirem as regras, logo voltaremos à uma realidade sem máscaras, sem medo, sem doenças e com mais contato físico e calor humano.

Adendo: Aproveito para deixar claro que esse projeto não é um incentivo às viagens. A pandemia não acabou. Esse trabalho tem um cunho jornalístico com o intuito de relatar experiências de pessoas que ao mesmo tempo em que estão tentando se adaptar à nova realidade, acreditam na seriedade do assunto. 

Para notícias oficiais sobre a Covid-19 na França: https://www.gouvernement.fr/en/coronavirus-covid-19 (em inglês)
Para notícias oficiais sobre o turismo em Paris: https://www.parisinfo.com

Rapha Aretakis

Viajante e sonhadora em tempo integral. Edito, escrevo e fotografo para o Raphanomundo desde 2010. Nascida no Recife, criada para o mundo, vivendo em Stuttgart, Alemanha.

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