Maskpackers - Turismo na Pandemia | Patacho (Alagoas)

Observando colegas que moram no Brasil e no mundo fazendo rápidas viagens, turistando em suas próprias cidades, aproveitando rápidas férias ou feriados para recarregarem as baterias a fim de aplacar os efeitos negativos do isolamento causado pelo surto da Covid-19, resolvi criar uma coluna onde entrevisto uma série de viajantes (e pessoas que de alguma forma estão envolvidas com o turismo) e chamá-la de maskpackers – uma brincadeira em inglês com as palavras mask e backpackers, “mochileiros de máscara”. 

Enquanto uma vacina não é desenvolvida, tentamos viver uma vida alternando entre o medo de se contaminar com o coronavírus e a dificuldade de se isolar. Como a máscara hoje se tornou um símbolo de quem adere às medidas de segurança, algumas pessoas passaram a viajar de um novo jeito e compartilham aqui com vocês quais são as impressões, cuidados e recomendações de quem viaja durante a pandemia.

Ana Lúcia Póvoa (57), amiga pessoal e leitora do blog desde 2010, levou sua mãe de volta pra casa, de Salvador a Recife, depois de uma longa quarentena juntas. A viagem foi feita de carro, pois Ana ainda não se sente segura para voar. No retorno, junto com seu marido Márcio, resolveram parar em Alagoas, mais precisamente na região paradisíaca do Patacho, afim de aproveitar uns poucos dias de descanso na praia, sem aglomeração. O casal observou que medidas de higiene foram tomadas na maior parte da estada e fez questão de chamar atenção para os preços salgados praticados pelas hospedagens da região. A viagem teve direito a bons restaurantes, passeio de jangada até as Piscinas Naturais do Patacho, que Ana diz ser mais incrível que as de Maragogi e, o melhor, com bem menos turistas e um visitante inesperado: um peixe-boi. 

Peixe-boi nas Piscinas Naturais do Patacho - Foto: Ana Lúcia Póvoa/Arquivo pessoal

Como viajou? Quais medidas foram tomadas durante o deslocamento? 
Viajamos de carro com todas as medidas necessárias: água, lanches (sanduíches naturais de atum com cenoura, milho e a mistura de maionese e iogurte natural), embalados em papel alumínio e dentro de uma sacola térmica. Frutas, biscoitos e chocolates. Só paramos para abastecer e ir ao banheiro (2x) no percurso de 700 km. 




Onde se hospedou ? O que te levou a escolher esse tipo de hospedagem? A pandemia pesou na sua escolha? 
Foram 2 hospedagens: Pousada Villages em Lages (só 5 chalés), Bangatacho (casa de aluguel por temporada com 2 unidades). Por causa da pandemia, o que pesou na nossa decisão foi ter quartos tipo chalés/ bangalô e poucas unidades, sem aglomeração. 

Você observou cuidados especiais por causa da pandemia durante sua hospedagem? 
Na Pousada Village, o simpático casal à frente do empreendimento, Lisa e Didier, implementou todos os cuidados: máscaras, álcool gel, não utilizam sacos plásticos na lixeira, além de se mostrarem sempre muito preocupados com a origem da comida servida. Mamão, acerola, pitanga e hortaliças vêm do quintal do casal. 

Ana e Márcio em viagem à região do Patacho, litoral alagoano - Foto: Ana Lúcia Póvoa/Arquivo pessoal

Contratou tours, passeios ou explorou o destino por conta própria? 
Sim, fizemos passeio de jangada para as Piscinas naturais de Lages, que tem menos pessoas. 




Visitou atrações fechadas ou deu preferência aos pontos turísticos ao ar livre? 
Nós demos preferência aos pontos turísticos ao ar livre: Farol de Porto de Pedras, Foz do rio Tatuamunhas e praias da região. 


Frequentou restaurantes? Observou mudanças por causa da quarentena? Quais? 
Sim, fizemos reservas para jantar , mas o almoço foi sem reserva. O café da tarde foi um achado de beira de estrada literalmente kkk… Jardim Secreto, super agradável e ao ar livre, debaixo de mangueiras com poucas mesas. Nos restaurantes Casotas, Patrícia Bistrô e No Quintal, todos usando máscaras, álcool gel nas mesas. O cardápio como jogo americano do No Quintal eu achei sensacional. 

Drinks do restaurante No Quintal, na Praia do Toque
Foto: Ana Lúcia Póvoa/Arquivo pessoal

Precisou contratar um seguro viagem para a ocasião? 
Não. 



Se sentiu segura durante toda a viagem? 
Sim, porém tive a necessidade de comprar um remédio na farmácia e aí me assustei. Na cidadezinha de Porto de Pedras as pessoas nas ruas sem máscaras, aglomeradas como não houvesse uma pandemia. 

Turismo sem aglomeração: chalé da Pousada Villages - Foto: Ana Lúcia Póvoa/Arquivo pessoal


Com base na sua experiência, qual dica você dá para quem está pensando em viajar durante a pandemia? 
Se quer viajar nesta pandemia (porque ninguém aguenta mais ficar dentro de casa), prefira ir de carro com todos os cuidados, prefira pequenas pousadas ou casa de aluguel por temporada, vá para lugares não turísticos e que seja ao ar livre como praias, fazendas, montanhas. Fique em chalé ou bangalô, com opção de café da manhã no chalé/bangalô sem custo adicional.


Adendo: Aproveito para deixar claro que esse projeto não é um incentivo às viagens. A pandemia não acabou. Esse trabalho tem um cunho jornalístico com o intuito de relatar experiências de pessoas que ao mesmo tempo em que estão tentando se adaptar à nova realidade, acreditam na seriedade do assunto. 

Para notícias oficiais e atualizadas sobre a Covid-19 em Alagoas: https://www.saude.al.gov.br/coronavirus/

Para notícias oficiais e atualizadas sobre o turismo em Alagoas: http://www.turismo.al.gov.br

Rapha Aretakis

Viajante e sonhadora em tempo integral. Edito, escrevo e fotografo para o Raphanomundo desde 2010. Nascida no Recife, criada para o mundo, vivendo em Stuttgart, Alemanha.

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